5 meses depois... e não é texto reciclado! (quer dizer...)

 

No corredor, por favor

Eu tenho medo de 3 coisas na vida: barata, fantasma e avião. E, às vésperas da minha viagem e depois de assistir, masoquisticamente, a um documentário sobre o avião que caiu na Cordilheira dos Andes em 1972 - por onde vou passar em uma das escalas -, achei que seria apropriado compartilhar o pânico de voar - não que a maioria já não tenha escutado o bastante, mas vamos em frente.

Dizer que eu tenho fobia de avião talvez seja exagero, afinal, mesmo preferindo viajar a nado, acabo subindo no monstrinho. Mas, garanto a você, tenho medo, muito medo. Um medo que me faz, literalmente, suar frio e quase chorar (tá, eu já chorei voando em um teco-teco), esmagar os dedos do meu companheiro de aventura de tanto apertá-los, pagar mais caro na passagem só para garantir um voo direto, sem escalas (pois é, desta vez não deu) e ter vontade de sair correndo e gritando quando mandam apertar os cintos, mas a minha dignidade ainda consegue levar a melhor sobre o pânico. Além de ter (mais) atitudes bizarras e irracionais, como ficar com o corpo tenso para tentar não fazer muito peso - que nem você, criatura de bom senso, quando senta no colo de alguém em uma carona para oito pessoas - na hora de decolagem (que é sempre quando eu tenho CERTEZA que o avião vai despencar), pensar em todos os acidentes aéreos da história, sem exceção, e como, de repente, parece tão possível e fácil o negócio cair, e lançar mão de remedinhos incríveis, como o Rivotril, que faz a experiência toda parecer uma comédia de mau gosto. Aliás, uma dica para os medrosos de primeira viagem: não inventem de tomar calmante se o voo tiver escala/conexão. Derruba mesmo.

E, claro, ignoro todos os argumentos que existem sobre o avião ser o meio de transporte mais seguro do mundo, os apelos do meu pobre (mas não desavisado) companheiro de voo, que a esta altura já começa a ser contagiado pelo pânico, sobre a probabilidade um avião cair etc. etc. etc.

E você pergunta (ou não): por que esse pânico de voar? Eu atribuo a uma viagem longa que fiz quando tinha 10 anos, quando a aeronave deu pane em pleno ar. Obviamente,  já que estou aqui, tudo correu bem, mas parece que a experiência me marcou.

Ok, vou admitir uma coisa: eu não sei se esse é o real motivo do meu medo, mas uso porque é perfeitamente cabível e eu prefiro acreditar nele. Mas é mais provável que seja algo a ser tratado em um divã. Há teorias (não vou dizer de quem) de que, por eu ser uma pessoa controladora e centralizadora (não concordo, mas respeito a teoria), subir em um avião significa perder esse controle, tirar das minhas mãos a responsabilidade.

Tudo bem, válida. Mas você não precisa ser uma pessoa controladora para não se sentir confortável com o fato de que a sua vida estará nas mãos de um COMPLETO DESCONHECIDO (a.k.a. piloto), que pode estar com sono, fome, sede ou má sorte, vai saber. Eu sei que o cara é experiente, sabe o que está fazendo e tudo o mais, mas todo o mundo erra, né? Vai que.

Só que, veja bem, eu não sou tão pessimista e alucinada. Também tenho os meus recursos para tentar me sentir mais segura, ainda que eles não sejam lá os mais convencionais: sempre procuro os passageiros inocentes – crianças, bebês, mulheres grávidas, casais em lua-de-mel – e penso que sacanagem seria um avião cair com essa gente bonitinha dentro. Uma vez peguei um voo ao lado de dois padres; me deixou mais tranquila do que saber que a aeronave tem sistemas redundantes, que se der pane em alguma coisa, outra coisa vai lá e cobre e fica tudo bem (desculpem, desconheço os termos técnicos). Também procuro observar as reações dos comissários de bordo, principalmente em uma turbulência. Sei que eles são treinados para manter a cara de paisagem, mas se algo der errado, meu amigo, duvido que haja poker face que resista.

Talvez você leia este texto e me ache uma lunática, talvez sinta um certo alívio por partilhar dos meus sentimentos ou, mais provável, me xingue quando lembrar das coisas que leu aqui ao entrar em um avião. Não importa. Foque no destino e tudo dará certo. E se um dia você, caro leitor, tiver o - ahem - privilégio de voar comigo, não se aborreça. Asseguro-lhe pelo menos uma vantagem: a janela é sua.

 

Para ler ouvindo: Thunderstruck - AC/DC

 



Escrito por Alana Della Nina às 01h01
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Escrevi este texto para a #semanadainspiração do site ElasCompram há uns bons meses, mas só decidi colocar aqui agora. Vai saber. Eis o link: http://www.elascompram.com.br/post/as-inspiracoes-de-alana

Quando o ElasCompram me convidou para escrever sobre inspiração, sofri de um irônico dilema: - o que me inspira? Que grande ideia terei para falar para vocês sobre o tema? Resolvi vasculhar na minha memória lembranças de momentos em que tive um pensamento criativo, aquele estalo que temos quando somos atingidas por algo realmente inspirador.

Aí me veio a recordação de uma pequena epifania que tive aos 8 anos quando li “Viagem ao Céu”, de Monteiro Lobato: descobri, ali, nas últimas páginas daquele livro, que eu queria ser astronauta. Queria, como Emília, Narizinho e Pedrinho, explorar o universo. Estava apaixonada pela galáxia e, na inocência dos meus poucos anos, deduzi que a única maneira de nadar pela Via Láctea e patinar pelos anéis de Saturno seria me tornando uma astronauta. E alimentei a ideia por tempos, cheguei até a fazer uma pesquisa rápida - verbal, naqueles tempos não existia a internet na minha vida - para saber o que era necessário para seguir a profissão. Obviamente, como vocês podem constatar, não virei astronauta, mas o ponto é outro: como uma ideia relativamente grande e persistente pode ter surgido naquele livro tão batido da nossa literatura? Aos 8 anos, além do sonho de viajar pelos céus - e ser paga para isso (sim, pequena capitalista) -, me dei conta de que a inspiração pode vir de qualquer lugar, desde que nos encante de verdade, desde que bata a identificação instantânea, aquele feeling “é isso!”.

Mulheres são criaturas peculiares, atentas aos detalhes, às coisas pequenas. É aquela velha diferença dos homens que, coitados, não encontram uma meia na gaveta. Na prática funciona assim: a gente vê um lenço em uma vitrine do shopping. O que nos leva a amar e comprar o acessório não é apenas um ímpeto consumista fashion, mas a imaginação de como o usaríamos. Pensamos em combinações, momentos, ocasiões. Pensamos no que vamos dizer, como vamos nos comportar, se seremos divas ou blasés, se usaremos no pescoço, no cabelo ou na cintura. Imaginamos os elogios, a admiração, o “onde você comprou?’. Porque nós somos assim. Feitas de coisas que se ligam a outras e a outras e a outras. Não importa o tamanho, o preço, a cor. Importante é para onde aquilo nos transporta.

No final, a grande conclusão sobre o desafio de escrever sobre a inspiração é que ela vem sem ser chamada e falta quando é solicitada. É espontânea, visceral. A gente simplesmente sente. Pode ser no detalhe em um quadro, na frase de um livro, em uma placa de rua, uma conversa com a amiga, uma cena de novela ou até um lenço na vitrine.



Escrito por Alana Della Nina às 15h07
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Crônica produzida para o curso do Carpinejar. Tínhamos que escrever sobre algo que nos incomodava no outro e, com o tempo, passou a nos agradar.

Sobremesa

 

Aquela estranha mania de transpirar pelo nariz. No nosso primeiro jantar me incomodou a ponto de eu não considerar  um segundo. Antes de me acusarem de ser uma vaca superficial, vale lembrar que tudo é muito condicional quando estamos conhecendo alguém, sobretudo os aspectos físicos. Ou vai dizer que um cecê, um bafo, um chulé não podem ser determinantes para o não futuro de um relacionamento?

Claro, as gotas de suor no nariz não chegaram a tanto, e o seu bom humor, sua inteligência e aquelas pintinhas do lado do olho superaram o distúrbio fisiológico.

E como a gente foi feito para cuspir para cima e receber de volta na testa - sem duplo sentido aqui com líquidos no rosto -, óbvio que ficamos juntos, em uma relação que já dura 7 anos.

E, a cada refeição partilhada nesse tempo, elas estavam lá, implacáveis e molhadas, me fazendo pensar em tetos de saunas e quase me matando com a expectativa de caírem na comida. Involuntariamente, ele passava o guardanapo sobre as gotinhas. Em vão. Em questão de minutos, elas voltavam.

Um dia, com a permissão da intimidade, perguntei “Por que você sua tanto pelo nariz?”. “Como é?”, ele disse surpreso. “Sabe, essa coisa que você tem de transpirar pelo nariz. Por que acontece? Tem algo a ver com os seus poros?”, perguntei na mais absoluta demonstração de ignorância. “Sei lá, ué. Todo o mundo precisa transpirar por algum lugar, certo? Eu suo pelo nariz, paciência. Isso te incomoda?”. E eu percebi que, àquela altura do namoro, não me incomodava. Me dei conta de que era justamente o oposto: eu já esperava pela presença daquele suor, como quem espera, sei lá, pelo couvert.

Ele fazia parte, desde o começo, de alguns dos nossos melhores momentos. Simbolizava as conversas, as risadas, a cumplicidade de enfiar o garfo no prato do outro, enfim, essa mistura deliciosa de comida com a alegria de estar com alguém que amamos. Eu já sentia uma ternura por aquelas bolinhas, queria a presença delas mais do que queria que o garçom trouxesse o vinho bom ou que o cozinheiro acertasse o ponto da carne.

O suor do nariz entrou naquela lista de coisas com as quais nos sentimos confortáveis, felizes, em casa. Eu precisava dele para ter uma refeição plena, completa. Porque, como, para certos amantes, as lágrimas de emoção, o suor no sexo, a saliva no beijo interessavam, aquelas bolinhas no nariz representavam, para mim, o estado mais espontâneo e honesto do nosso amor.

 



Escrito por Alana Della Nina às 13h16
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De volta!

 

Terceira Pessoa Transitiva

 

-       Você acha que é possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo?

-       Claro. Você não ama seu pai e sua mãe?

-       Não, besta. Estou falando de amor romântico. Você acha que dá para gostar de mim e de outra mulher ao mesmo tempo?

-       Ah, não sei. Acho que sim.

-       ....

-       Você entende que com isso eu não estou querendo dizer que gosto de uma terceira pessoa, né?

-       É, sei lá. Se você tem essa opinião, já deve ter passado por algo do tipo. Espero que não comigo.

-       Não seja boba. Eu não posso acreditar na possibilidade sem, necessariamente, ter vivenciado a situação?

-       Ah, acho difícil. Na minha cabeça é inconcebível.

-       Não sei. O ser humano não é monogâmico por natureza. É monogâmico por imposição social.

-       Isso é papo filosófico de boteco. É fácil dizer que monogamia não é natural quando você que está pulando a cerca, né? Experimenta ser corno para ver se não muda de ideia.

-       É, pode ser. Mas também acho que a possessividade é fruto da mesma imposição. Nós acreditamos que temos que ser fiéis, logo, não admitimos a traição.

-       Balela. Social ou não, traição machuca do mesmo jeito. Ninguém fica feliz de imaginar a pessoa que ama com outra. Quer dizer, tem quem não se importe, mas são pessoas raras.

-       Ah, sim. E é o tipo de amor que as pessoas deveriam cultivar, livre, desapegado. Mas é uma inteligência emocional que estamos muito distantes ainda, não?

-       Com certeza. Eu, por exemplo, estou tão distante que nem consigo acreditar que esse tal de amor livre seja mesmo uma boa ideia.

-       Pode ficar tranquila porque, quanto a isso, nem eu.

-        Que bom. Mas, voltando ao assunto, por que mesmo você acha que é possível amar duas pessoas?

-       Não sei, se apaixonar é algo que está fora do nosso controle.

-       Não é, não.

-       Claro que é.

-       Até certo ponto não. Nós que nos deixamos levar. Você se apaixona porque permite que as coisas aconteçam. E, de qualquer forma, amar é uma palavra muito forte. Demanda tempo, vivência, conhecimento. Acho que, no máximo, dá para você amar uma e se sentir fortemente atraída por outra.

-       Ou não. Se você tiver muito saco e nenhuma consciência, dá para construir dois relacionamentos paralelos. Aí o sentimento fica mais ou menos no mesmo nível, se é que é possível medir sentimento.

-       Bom, menos mal. Muito saco, pelo menos, você não tem.

-       É. E, aparentemente, consciência é o que não te falta.

-       Então estamos resolvidos. Boa-noite.

-       Boa-noite.

 



Escrito por Alana Della Nina às 21h05
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5 anos depois. UPDATE! Mais um lá no fim.

Coisas Desmoralizantes

Não adianta passar a vida tentando construir uma bonita auto-imagem quando tudo pode ser destruído com uma única escorregadinha – seja escatológica, moral, sexual ou literal mesmo. Coisas que fogem ao nosso controle e nos desmoralizam frente a desconhecidos, recém-conhecidos que queremos impressionar e todas as outras pessoas que não sejam aquelas que nos amam incondicionalmente e continuarão achando a gente o máximo. Propositais ou não, as Coisas Desmoralizantes podem sempre ser um divisor de águas na nossa vida social, deixando uma pequena marca na nossa reputação. Como evitá-las? Impossível. Mesmo as cometidas conscientemente (ou não) fazem parte da pura falta de bom senso humano. E as outras são falhas do acaso, com aquela mãozinha amiga da Lady Murphy.

Abaixo, minha listinha das piores. Se lembrarem de alguma, fiquem à vontade para complementar:

Camel Toe. Não importa se você é gostosa, bonita e inteligente. Se estiver de camel toe, nada mais será notado e você ficará eternamente conhecida como a “Garota do Camel Toe”. Para mim, não é perdoável nem em roupa de academia ou biquini. Gente, CAMEL TOE NÃO DÁ! Não custa dar uma olhada no espelho antes de sair de casa. Fora que, né?, deve incomodar.

Cofrinho. Tem quem já considere charmoso. Para mim, continua sendo extremamente desmoralizante. Mal sei seu nome, por que diabos vou querer ver sua bunda? E uma parte feia, ainda por cima. Porque até os aficionados por bunda vão ter que concordar: cofrinho não é nada atraente, vai. Nem o da Juliana Paes.

Zíper da calça aberto. Ninguém consegue respeitar um sujeito que esquece de fechar o zíper. Claro, o coitado não tem culpa, é um acidente que pode acontecer com qualquer um, mas a vida é injusta mesmo, fazer o quê? Fora que a chance de passar o dia assim é grande, já que quase tão desmoralizante quanto deixar a braguilha aberta é avisar alguém disso. Fica aquele clima de “Ué, mas para onde você estava olhando?”.

Alface no dente. Quem nunca passou por isso? É superável, claro, mas, na hora em que você se dá conta, bate aquele desespero, aquele senso de ridículo. Você só consegue se lembrar dos momentos em que estava sorrindo como se não houvesse amanhã, espalhando seu charme. Clichê? Ok, mas péssimo do mesmo jeito.

Cuspir enquanto fala. É horrível. Sobretudo se a gosma for parar no seu interlocutor. E aí? Fazer o quê? Pedir desculpas e dar uma limpadinha ou fingir que não aconteceu? Constrangimento descontrol.

Bater a cabeça na cabeceira da cama durante o sexo. Óbvio que nunca vai acontecer com sua namorada de 10 anos. Mais provável que seja com aquela gatinha para quem você praticamente ensaiou a performance. Tem que ter um jogo de cintura fenomenal – das duas partes – para rir da situação e continuar como se nada tivesse acontecido. Mas aí estamos falando de um mundo ideal, e não é este. Definitivamente.

Voz de gás hélio no entrevistado de jornal cuja identidade deve ser preservada. Díficil prestar atenção na entrevista com o cara falando com aquela voz de engraçadinho em festa infantil. Não dá para levar a sério. Geralmente, é uma pessoa narrando um acontecimento grave e você não consegue sentir o drama, é horrível. Palmas para o gênio que teve a excelente ideia de criar esse disfarce.

Meleca no nariz. O constrangimento é muito maior para o seu interlocutor, que não consegue nem se concentrar na conversa, o coitado, com medo de que, em uma respirada mais profunda, aquela catota voe nele. Você pode ter a sorte de realmente perdê-la sem se dar conta - a ignorância é uma benção. Ou não: pode chegar em casa no final do dia e perceber aquele mini alien na entrada da sua cavidade nasal. Aí a vontade é de enfiar a cabeça na privada e morrer afogado na sua dignidade perdida. 



Escrito por Alana Della Nina às 19h50
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Textinho feito para os queridos do Quero te pegar sóbrio - http://querotepegarsobrio.com.br

Quem ama, odeia

- Sabe, de vez em quando, eu te odeio um pouquinho.
- Me odeia?
- É, mas não é um ódio ódio. É um ódio de amor.
- Ódio de amor?
- É, sabe? Não é um ódio Brasil e Argentina, São Paulo e Corinthians, Montecchio e Capuleto.
- Puxa, que bom.
- É verdade. Ai, nem sei explicar.
- Tenta.
- Ah, eu te odeio quando você acha a Cate Blanchett linda.
- Isso tem outro nome, santa. Ciúme.
- Não, porque eu também te odeio quando você me diz o que fazer quando estou dirigindo. Ou quando você faz aquele barulho irritante com a boca. Ou quando você rouba a comida do meu prato. Ou quando você diz que eu deveria usar mais batom.
- Ah.
- Mas, meu, não fica assim. Eu te amo.
- Não entendi. Você me ama ou me odeia?
- Ah, às vezes, eu odeio amar você.


Escrito por Alana Della Nina às 16h30
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Agora sim! Inteiro! Êêê.

O amor é um clichê.

 

Relacionamento é um lugar-comum.

E nem a mais criativa das criaturas consegue fugir deles.

O love descontrol alheio causa, mais do que pena ou choque, identificação. E às vezes alívio por daquela vez, pelo menos, não estar acontecendo com a gente.

É tudo tão previsível que dá para dividir em categorias. São motes básicos que, volta e meia, assombram as mulheres, sejam elas novatas ou maduras no Grande Jogo do Amor. Quer ver? Alguns exemplos abaixo:

 

Mulheres Vacas – Sério, de onde elas saíram? Será que eu já fui uma Mulher Vaca? Será que você já foi uma Mulher Vaca? Porque elas têm que ter saído de algum lugar. É um mistério, mas todas, TODAS as mulheres que têm namorado sofrem com o Fenômeno da Mulher Vaca, francamente disseminado pela tecnologia, como porcarias de Orkut, MSN e SMS, inimigos do garanhão infiel e horror das donzelas de coração sensível. Para cada casal existe (pelo menos) uma Mulher Vaca, uma pentelha cuja missão na vida é agarrar o máximo de homens acompanhados que ela conseguir. Não sei se existe lógica nisso, mas dizem por aí que algumas mulheres agem dessa forma porque acham que se alguém quis é porque algo de bom deve ter. Raciocínio furado. Prefiro acreditar na minha mãe, que diz que para todo pé doente existe um chinelo velho.

 

Intimidade – É uma coisa boa? Depende. Se for pra acordar juntinho, tomar café na cama e rir das coisas em comum, manias e tal é lindo. Agora se for pra uma fazer xixi – e outras coisas – enquanto o outro está no banho, espremer espinha das costas, mostrar o dedão pela meia furada, limpar a remela, fazer disputa de arroto (acredite, há quem faça), entre outras preciosidades, nem é preciso dizer que é meio caminho andado pro fim da paixão, do tesão e de vários outros ãos. Algumas coisa são inevitáveis, claro, vomitar em cima/ perto/ no pé do outro no final daquela balada infeliz, ter uma dor de barriga fora de hora durante a viagem, cuspir sem querer enquanto fala são coisas que podem acontecer com qualquer pessoa, afinal somos seres humanos, a escatologia faz parte da nossa natureza,  mas tentar preservar o mínimo de dignidade e não se revelar por inteiro são coisas essenciais em qualquer relacionamento. Minha mãe diz (é, ela diz muita coisa útil) que não devemos deixar o namorado ver a gente trocando de roupa, que só podemos aparecer quando estivermos prontas, lindas e louras. Achava isso um exagero, mas hoje percebo a importância que pequenos detalhes têm quando as coisas começam a se acomodar. A maioria das mulheres tem horror a excesso de intimidade. Compreensível, já que homem, quando dá pra ser íntimo, não tem pra ninguém. Eles não conseguem ver a tênue linha que separa o amor do amor incondicional. Gente, amor incondicional só de mãe ou filho, no máximo do cachorro. Mas eles acreditam piamente que estamos profundamente agradecidas com sua confiança e que achamos lindo o bofe lá deitadão de cueca e meia no sofá à la Homer Simpson. Não, meu bem, não achamos.

 

Ex-namoradas - Repare que Ex-namoradas e Mulheres Vacas estão em categorias diferentes, porque ainda que as primeiras, inexplicavelmente, costumem ser vacas, elas são permanentes, grudam na gente e não soltam mais - você vai estar lá, toda velhinha, fazendo bodas de ouro e, pode ter certeza, a Ex-namorada vai estar por perto -, enquanto as segundas variam de tempos em tempos. Enfim, categorias distintas. Ex-namorada pode vir nos seguintes pacotes: Eternamente Obcecada, Mulher Solteira Procura, Coitadinha e Sou-Mais-Gostosa-Que-Você ou, se você tiver sorte, ela vem em todos e aparece com uma faceta nova a cada dia, sempre uma surpresinha agradável. Outra característica que as diferencia é que a Mulher Vaca quer o seu namorado mesmo, ela curte o fato do cara ser comprometido, mas está se lixando para você. Você não passa de uma tralha velha qualquer que ele arrasta de um lado para o outro. Já o negócio da Ex é com a gente, olho por olho, dente por dente. Tá, não é regra, tem sempre aquela que ainda ama o cara e inferniza a vida de vocês com o objetivo de tê-lo de volta. Ainda não é justificável – e nada saudável, a propósito -, mas é mais aceitável do que a Ex-namorada-psico-puta. Ela é obcecada por você. Ela quer o que “é dela” de volta. Ela quer te pegar. Bu. O problema é que a danadinha faz isso por meio do rapaz, coitado, que fica em uma vida de elástico esticado. Você soltando os cachorros de um lado e a outra supostamente cheia de amor para dar, atirando suas flechas no pobre esquivo. A vantagem? Ele costuma pegar um bode da menina maior que o seu, daí para ela virar de motivo de preocupação e rugas desnecessárias para boas piadas e crises de vergonha alheia é rapidinho. Melhor assim, porque, como diz a minha sábia mãe, namorada uma hora acaba, mas ex-namorada é pra sempre.

 

Sexo – Se o sexo é bom, ótimo. Mas, depois de um tempo, não tem como negar, é preciso equilibrar alguns pratinhos para manter a “velha chama acesa”. É, é um termo brega, mas, enfim, funciona. Adoro as dicas de amigas e as 1001 da Nova. São feitas por pessoas que não pretendem realizá-las, francamente, mas cheias de boas intenções. Afinal, não tem nada mais deprimente do que aquelas mulheres que sofrem na hora do sexo, que encaram como uma obrigação conjugal e fazem o possível para acelerar o processo, demonstrando uma empolgação louca quando, no fundo, estão olhando pro esmalte e pensando que aquela cor já deu. É a mais pura imagem da infelicidade. É a Amélia acorrentada no pé da mesa da cozinha. Mas, claro, largar o homem ninguém quer e muito menos que ele vá ciscar na grama alheia, daí a moça desesperada acaba cedendo aos apelos masculinos por medo de perder o cara. Bizarro, não? É engraçado como uma coisa tão boa pode virar o maior pesadelo de uma mulher, mas não adianta, se o sexo não é bom, não funciona mesmo e aí o caminho é pra baixo e sempre. Não sei se dá para recuperar o Calor da Paixão Inicial, mas acho bem difícil. Se alguém alcançar o sucesso por meio de tentativas especiais, velas incandescentes, fantasias e outras artimanhas do amor, me conta.

 

Compromissofobia – Por quê? Sério. Por quê? A gente late? Rosna? Morde? Engorda? Qual é o problema dos homens com a palavra “compromisso”? Sim, o problema é com a palavra, porque, caso eles não tenham percebido, se estão saindo há mais de dois meses com a mesma mulher, já estão em um. Mas daí escutam a famigerada palavrinha e pronto, começa o circo. “Acho que estamos indo muito rápido”, “Acho que não deveríamos viajar juntos no feriado”, “Acho que é melhor saírmos mais vezes separados” e a pior, tcharam, “Estou me sentindo sufocado”. A despeito da vontade de fazer uma demonstração literal de sufocamento, a preguiça que consome nossos corpinhos femininos frente a essas espetaculares e criativas justificativas supera qualquer vontade de tomar uma atitude. Pra nós, é uma matemática simples: a moça gosta do moço, o moço gosta da moça. O que mais precisa? Mulheres não têm medo de nada. Homens têm medo de tudo. Feminista? Não, realista. Quer dizer, mulher tem medo sim. Medo de homem que tem medo de tudo. Inclusive de compromisso.



Escrito por Alana Della Nina às 20h04
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Primeira parte, gente. Não consigo escrever tudo de uma vez.

O amor é um clichê.

Relacionamento é um lugar-comum. E nem a mais criativa das criaturas consegue fugir deles. O love descontrol alheio causa, mais do que pena ou choque, identificação. E, às vezes, alívio, por daquela vez, pelo menos, não estar acontecendo com a gente.
É tudo tão previsível que dá para dividir em categorias. São motes básicos que, volta e meia, assombram as mulheres, sejam elas novatas ou maduras no Grande Jogo do Amor. Quer ver? Alguns exemplos abaixo:

Mulheres Vacas - Sério, de onde elas saíram? Será que eu já fui uma Mulher Vaca? Será que você já foi uma Mulher Vaca? Porque elas têm que ter saído de algum lugar. È um mistério, mas todas, TODAS as mulheres que têm namorado sofrem com o Fenômeno da Mulher Vaca, francamente disseminado pela tecnologia, como porcarias de Orkut, MSN e SMS, inimigos do garanhão infiel e horror das donzelas de coração sensível.

Continua.



Escrito por Alana Della Nina às 18h06
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Bonitinho. Não é um poema.

O Risco

Para morrer, basta estar vivo
Para amar, basta estar distraído
Para ser traído, basta estar apaixonado
Para trair, basta ter uma desculpa
Para lascar o esmalte, basta fazer a unha
Para ter medo de chuva, basta fazer o cabelo
Para engordar, basta estar magro
Para falir, basta ser rico
Para roubar, basta ter ambição
Para matar, basta se precipitar
Para se precipitar, basta estar emocionado
Para se afogar, basta se refrescar
Para se acidentar, basta caminhar
Para sofrer, basta estar feliz
Para querer, basta fazer uma escolha
Para dar errado, basta o acaso



Escrito por Alana Della Nina às 11h50
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Olha! Um texto pessoal! Era para ser mini, mas virou maxi. Como sempre.

Mundo cão.
 
 
Eu deveria ter sido engenheira. Ou não, de repente eles também têm seus estrelismos. Mas não consigo imaginar nada, nada que possa superar a chatice da egolatria do povo que trabalha com comunicação. Ok, eu trabalho com comunicação e não devo cuspir na classe. Mas é um desabafo. E não estou generalizando, milhares de pessoas - redatores, designers, diretores de arte, jornalistas, produtores e afins - são fantásticas e aposto que têm o mesmo comportamento que teriam se trabalhassem como balconistas de lanchonete. Enfim, dignidade e humildade. Mas como estou falando dos deslumbrados, a história é essa.
 
Me cansa gente que você não vê há anos e, ao encontrar casualmente, a pessoa praticamente te cumprimenta perguntando onde você trabalha. E com o único objetivo de poder dizer onde ELA trabalha. Juro que o próximo que vier com esse papo, eu vou acrescentar à minha resposta: "mas não entenda isso como uma deixa para falar onde você está trabalhando porque, francamente, não me interessa".
 
Tenho preguiça de gente que acha que seu trabalho é a coisa mais importante e nobre de todas e que o mundo gira ao seu redor. Olha, pode ser divertido, bacana, inspirador, mas existem coisas infinitamente mais importantes e prioritárias do que fechar uma revista, um anúncio, uma ação, um maldito logo.
 
Eu não entendo o ar de superioridade, a urgência dos gestos, a correria do mundo, a mudança de personalidade, o egocentrismo, a necessidade de se mostrar importante, a mania de querer impressionar, tentar fingir ser o que não se é, refutar gostos banais e populares, a ousadia de tratar com desprezo ou ignorar solenemente pessoas que são o que eles foram ontem. Até precisarem de trabalho e te procurarem como se fossem seu melhor amigo.

Bom, eu sou redatora e repórter e poderia, sei lá, estar escrevendo cartas para  ONU, mas não, estou trabalhando e escrevendo textos como este, que nada farão pela Humanidade.
Ou seja, só para ficar claro: não menosprezo o trabalho nem os trabalhadores. Adoro o que faço, mas jamais vou humilhar/ maltratar/ passar por cima de alguém porque acho o máximo poder escrever e escrever e ganhar para isso. Só acho desnecessária e irritante a maneira como algumas pessoas encaram tudo isso.
Mas, no fundo, pode ser só uma forma de trazer à tona a arrogância, prepotência e umbiguismo que existe dentro de nós, porque, às vezes, Deus dá asas para cobra.


Escrito por Alana Della Nina às 18h57
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Texto novo! Um pouco escatológico, mas interessante. Obviamente, as identidades das personagens foram devidamente preservadas.

 

As Comadres e o Cu


  • Amiga, hoje depilei o cu.

  • ...

  • Sério.

  • ...

  • Delícia. Estou me sentindo outra pessoa.

  • Mas não dói?

  • Nada.

  • Hum.

  • Tá bom, vai. Dá umas puxadinhas e tal, mas é muito rápido.

  • Ai.

  • É maravilhoso.

  • Já ouvi dizer. Mas não tenho coragem.

  • É maravilhoso mesmo. Sério. Não sei como vivi sem isso.

  • Como eu.

  • Fui naquele lugar rosinha, sabe?

  • ...

  • O que foi? Estou falando do salão.

  • Ah, eu só ouvi o “lugar rosinha”. Pensei que estava falando do dito-cujo.

  • Não! É o salão. Amiga, vou te levar lá.

  • Não sei se consigo. Não sou resistente.

  • Mas são dez segundos. Juro. E uma eternidade de prazer.

  • Puxa, acabou de criar um conceito publicitário.

  • Engraçadinha.

  • Vai lá trocar por depilações grátis. Vai ter o cu pelado pelo resto da vida.

  • Ai, amiga. Nem brinca. Tô com vontade de depilar até a testa agora.

  • Nossa. Não tenho essas vontades.

  • Hoje foi só o cu, mas qualquer dia depilo a virilha.

  • De jeito nenhum. Com a TPM que eu ando ainda, ia acabar dando um chute na cara da depiladora.

  • Que drama.

  • Sério. Detesto que arranquem meus pêlos. É uma dor que me dá um mau humor profundo. E o problema é que eu tenho vários. Pêlos, é claro.

  • Mas tem que depilar, né? Fazer o quê?

  • Sei lá. Morar na Europa, de repente.

  • Que idéia.

  • Não vou depilar o cu, não. Sofrimento desnecessário. Já faço o bastante arrancando os pêlos visíveis. E como faço.

  • Mentira, que você raspa as pernas, virilhas e axilas.

  • Tá, mas e o bigode? E a sobrancelha? Morro de dores. Tenho ódio mortal de todas as pessoas que fazem minhas sobrancelhas.

  • Ah, mas a dor não se compara. O cu é bem mais tranqüilo. Vai por mim.

  • Tá bom, vai, Qualquer dia eu tento. Mas... e a posição? Não é horrível?

  • É.

  • É?

  • Você deita de bruços e segura a bunda aberta e...

  • Como é que é?

  • Mas é muito rápido.

  • Vo-cê se-gu-ra a bun-da a-ber-ta?

  • É.

  • ...

  • E não pode fechar. Senão gruda.

  • Ah, vai.

  • Sério.

  • E como é, hum, o approach? “Oi, moça, você pode abrir a bunda e segurar rapidinho?”

  • Não, ela abre a sua bunda e diz: “Segura aqui e não solta”.

  • Ela. Ela abre a sua bunda?

  • Sim.

  • Juro. Deve ser um emprego degradante.

  • Deve.

  • Acho que prefiro limpar banheiros do que abrir a bunda de uma desconhecida.

  • ...

  • Nada contra sua bunda, claro. Mas imagina cada bunda que não passa por lá.

  • É, eu também pensei nisso. Vai que está suja, sei lá.

  • ...

  • ...

  • E na hora de pagar?

  • O que tem?

  • A caixa diz algo como: “Foi o quê, minha filha? Ânus completo, né? Mais alguma coisa?”

  • Isso. Eu disse bumbum. Ânus é feio.

  • Mas bumbum é bumbum, cu é cu. Você pode ter pêlos na bunda, não necessariamente dentro dela, entende?

  • Ah, ela entendeu.

  • Você é muito desprendida. Te invejo, amiga.

  • Nada, muita vergonha.

  • Que nada. Não é todo mundo que fala para um desconhecida: “Limpa o cu aê, colega”.

  • Que isso.

  • E olha que eu não tenho vergonha de muita coisa nesta vida.

  • Confesso que quase morri de vergonha.

  • Sério?

  • Claro. Mas, no fundo, é tão normal.

  • É, tipo fazer cocô. Todo mundo faz, mas ninguém comenta.

  • Exato. E lá eles tratam o ânus como o pé, sabe?

  • Oi?

  • Vai fazer o quê? Pé, mão, cu?

  • Ah. Supertrivial.

  • Pois é. Vou até anunciar por aí que estou com olhos sem cílios.

  • Que isso, amiga? Fazendo publicidade do cu?

  • Ah, é uma metáfora. Ninguém vai entender isso.

  • Pois é. Vão perguntar para você: “Está sem cílios no olho, menina?”. E você vai responder: “Estou, no olho... no olho do cu”.

  • Mas é sério. É muito gostoso.

  • Duvido.

  • Não o ato em si. Mas o pós.

  • É mesmo?

  • Sim. Só de colocar a calcinha, você já sente a diferença.

  • Hum. Mas eles não me incomodam.

  • Nunca me incomodaram também. Até eu tirar. Daí você vê como eles atrapalham.

  • É, de repente. Pode ser que eu experimente e também fique feliz. Bom, vá pela vida, com o cu nu.

  • Sim, sou uma mulher livre.

  • Tchau.

  • Tchau.



Escrito por Alana Della Nina às 01h40
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Males Modernos e Males Necessários

 

 

Eu tenho rinite. Uma rinite que, ao longo do dia, evolui para sinusite. E tenho oito graus de miopia. É grau o bastante para a cirurgia virar o maior sonho da vida. Ah, como seria bom dormir assistindo tevê, acordar e ver o mundo. Eu também tenho três dentes do siso que não saem, não entram e ficam empatando a minha vida bucal. Ainda tenho a gastrite, que escolhe datas pontuais, como o Natal e a Páscoa, para atacar. Também sou constantemente acordada pela vilã noturna das pessoas que não comem banana ou se alongam mal: A Cãimbra Na Batata Da Perna. E, como se não bastasse, sou hipocondríaca, daquelas que só de ouvir a aspirina se dissolvendo na água já se sente melhor. Resumindo, eu pareço aquela música do Arnaldo Antunes. E, sim, o pulso ainda pulsa.

 

Mas sou perfeitamente normal. Se você me conhecer não vai dizer que eu sou essa verdadeira lista de efeitos colaterais de bula de remédio. Faço exercícios regularmente e tenho uma alimentação, hum, vamos pular essa parte. O importante é que eu consigo viver, trabalhar, namorar, dormir e me divertir. Ok, eu provavelmente não duraria muito tempo em uma savana africana, mas como pretendo ficar por aqui mesmo, consigo me virar com os recursos que a medicina moderna me oferece.

 

Viva as lentes de contato, o sorine, o dorflex, a descoberta da penicilina e a sabedoria dos mais velhos! Viva os médicos e sua imensa paciência com as minhas dúvidas vitais sobre como recuperar meu estômago até o Ano Novo – eu não vou tomar suco de melancia na virada! Viva as pastilhas, as pílulas, as pomadas, os xaropes, os protetores solares e os soros fisiológicos!

 

 

Tudo bem, bom mesmo seria não ter nada disso. Mas neste meu momento Pollyanna, a tendência é ver o copo meio cheio. Já que eu posso resolver minhas pequenas emergências diárias, enquanto não tenho condições de sanar o problema de uma vez por todas, por que não aproveitar?

Moderamente, claro. E, de resto, ficam as dicas de sempre: tome muita água, durma direito e viva feliz. Esse é o melhor remédio.

 

 



Escrito por Alana Della Nina às 10h32
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Voltei! Depois de 4 meses, com vocês: o 3º episódio de Cotidianices!

No Supermercado

Poucas coisas na vida me dão mais preguiça do que ir ao supermercado. Não estou falando sobre comprar cervejas e doritos no sábado à noite, mas sim quando chega a hora das temíveis Compras do Mês. E se você me disser que é uma delícia comprar comida, vou te responder que não, uma delícia é comer, mas todo o processo que se desenrola até aqui – considerando, obviamente, que você tenha que comprar a sua comida e não ir a um restaurante (isso fica para um próximo capítulo) – é extremamente cansativo e chato, para ser bem honesta. Aí você também pode dizer que não há nada mais fofo do que recém-casados fazendo comprinhas como vinhos, queijos e danettes. Aposto que isso não dura até o terceiro mês sob o mesmo teto. Daqui a pouco eles estarão disputando no par ou ímpar quem vai cumprir a missão. Espere e verá.

Agora voltando ao caos: tudo começa quando você vai tentar parar seu carro no estacionamento do mercado. Se ele está lotado, mau sinal. Você já prevê que ficará horas e horas na fila do pão, na fila dos frios, na fila da carne e, finalmente, na maior e mais horrorosa de todas: a fila do caixa. Aí você roda, roda, roda, e quando está prestes a desistir, pegar um big mac no caminho e ir para casa, eis que surge, em direção ao carro que está na sua frente, uma tia com o carrinho! Entupido, tudo bem, mas você já chegou até aqui mesmo, então aguarda. Após 25 minutos esperando que ela decida se coloca os ovos em cima do leite ou embaixo do presunto, você já está profundamente arrependido de não ter optado pelo big mac, ah, o big mac. E, então, nos seus devaneios entre os picles e o molho especial, a fofa finalmente parte. Primeira fase concluída.

Não, eu não vou falar dos carrinhos rangentes porque aí vai ser rabugice da minha parte. Mas eu sempre pego os carrinhos rangentes. Tá bom, problema meu.

Se você é mais organizado do que eu, provavelmente fez uma listinha (que entra em outra das aporrinhações de fazer mercado). Então, sua vida está, aparentemente, facilitada e você vai felizinho percorrer os corredores aos quais já estava destinado ouvindo aquela musiquinha mela-cueca de fundo. Mas – haha, eu não falho – sem deixar de contar que você pode não encontrar muitos dos produtos anotados, especialmente legumes (eu, particularmente, não vejo muita diferença entre eles), e agora vai ter que arrumar substitutos. Viu? Trabalho dobrado. Fora o suplício que é já ter colocado 30 itens no carrinho e ver que ainda existem uns 40 na listinha sem ticar.
Agora, se não, se você é espontâneo (e preguiçoso) como eu e nem pensou na listinha, vai andar trocentas vezes por aqueles intermináveis corredores, sem saber o que escolher, meio com fome e meio enjoado de ver tanta comida e com a trilha sonora na ponta da língua.

Depois de três horas e meia, você chega à já mencionada fila do caixa. Lixa as unhas, lê uma revista da gôndola, trava um daqueles papos sociais sobre as peculiaridades de um supermercado com o vizinho da frente. E, se a fila demorar mais um pouco, vocês partem para as peculiaridades da vida até chegarem ao último pé-na-bunda que você, ou ele, tomou e a vaca que ela era (se você for menina, por favor, troque os sexos. Mas a vaca pode continuar, caso prefira.). Ótima maneira de fazer amigos.
Ainda sobre o tópico filas, preciso falar especialmente da Fila Rápida De No Máximo Dez Itens. Porque parece que algumas pessoas não aprenderam a contar ou têm uma cara-de-pau absurda mesmo. Eu simplesmente não sei como reagir quando o Fulano na minha frente tem, pelo menos, umas 30 coisas no seu carrinho. Pô, o que caracteriza uma fila rápida é ela ser rápida, sua besta! Não, eu não digo isso, apenas penso. Com uma intensidade que às vezes desconfio que o Fulano captou telepaticamente. Mas deve ser apenas a minha cara, um provável misto de ódio, indignação e impotência, só que ainda não piores do que a vergonha de fazer um escândalo em público.

Então, você paga suas compras, que, invariavelmente, ficam mais caras do que você esperava e chegamos à Fase 4: embalar as compras. Não vou me prolongar muito aqui, porque a maioria dos estabelecimentos conta com meninos para fazer isso por você. Mas a maioria dos estabelecimentos também preza pela economia de sacolas, o que resulta em lasanhas congeladas entulhadas no mesmo espaço que rolos de papel higiênico e o risco de estourar o saquinho e suas compras rolarem rua abaixo.

Fase 5: Descarregar as compras no carro. Bem-feito, quem manda tirar sarro da tiazinha? Agora você também vai ter que se preocupar com a organização das sacolas no seu porta-malas, de forma que nada quebre, derrube, manche, misture e deixe um fedor irrecuperável no carro. Isso tudo com o olhar opressivo do você-no-passado, ou seja, alguém que está esperando para pegar a sua vaga.

Eis que você chega em casa e à Fase 6: descarregar o porta-malas. Se você mora em prédio, talvez possa contar com um carrinho ou, pelo menos, com uma mãozinha do porteiro. Se você mora em casa, ou vai ter que se transformar no Hulk Equilibrista, carregando várias sacolas, enquanto tranca o carro e tira as chaves de casa ou vai ter que fazer várias viagens até levar tudo para dentro.

Mas nada, nada, supera a Fase 7: guardar as compras.
Primeiro porque você já está acabado pelas seis fases anteriores e só queria descansar um pouco. Só um pouco! É pedir muito? Depois porque você tem que ficar separando o que é de geladeira para a geladeira, o que é de despensa para a despensa, o que é de banheiro para o banheiro e o que é de limpeza para a área de serviço. E, logicamente, organizar as coisas nos seus respectivos lugares, bonitinhas e devidamente encaixadas.

Ufa. Acho que é isso.
E antes que você me acuse de sofrer supermercadofobia, saiba que eu não sou tão cricri assim. Ainda curto as musiquinhas, o movimento, ovos de chocolate na Páscoa e panetones no Natal. E todo o resto faz parte do grande ritual das compras, então a gente acaba se divertindo de um jeito ou de outro. E, vai, o êxtase que te consome depois da cozinha arrumada e a certeza de que você tem um armário cheio de comidas não compensa tudo isso? Foi como eu disse. Legal é comer, o resto é consequência. Ou não.


Escrito por Alana Della Nina às 10h46
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APELO!

Gente, é um horror, este blog é feio pra dedéu, sou uma dinossaura de computador e não sei mexer no layout. O melhor que eu consegui foi o de cidade porque aquele rosinha analógico já não tava mais dando. Mas DESFORMATOU TODO O TEXTO!

Então, peço a compreensão de vocês, meu pequeno, mas fiel, público.  O texto fica grudado na parede, a fonte muda, o tamanho muda, mas NÃO É MINHA CULPA!

Se vocês tiverem sugestões de como melhorar a situação (e não, eu não vou para o blogspot, puta mão-de-obra ficar mudando de endereço), eu agradeço. Agora se todos tiverem a mesma sabedoria informática que a minha ou preguiça assumida, então continuo pedindo só a compreensão mesmo. O texto dá pra ler, né?

Obrigada e beijos,

a dona do blog. 

 

P.S.: Preciso confessar! Até que eu gostei deste layout de cidade, ficou meio David Letterman, né? E, reparem, ele tem todas as etapas do dia, de acordo com o relógio. Tem até pôr-do-sol. Lindo! =)



Escrito por Alana Della Nina às 14h49
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Os defeitos que nós amamos

Você encontrou a mulher. Aquela que você tem certeza que vai dividir o copinho de escova de dentes para o resto da vida. Perspectiva bacana. Mas que pode, lentamente, ser destruída pelos monstrinhos do dia-a-dia. Ou não. Ou tudo aquilo vem no pacote e você fica feliz do mesmo jeito. Fato é que depois de um tempo você descobre que a fofa não é uma deusa do Olimpo, mas, no fundo, é gente como a gente. E aquelas coisinhas que você achava graciosas podem se transfomar em defeitos gordos, feios e fedidos.

O que fazer? Você é doido por ela, mas os extras andam difíceis de aguentar.

Calma que tudo na vida tem saída. Se você procura alguém que faça todas as suas vontades e não reclame de nada, compre uma boneca inflável e seja feliz. Agora se você está a fim de levar adiante seus planos com ela, então vai ter que aprender a lidar com os defeitos e amá-los também, afinal não é só de apetite sexual e beleza estonteante que a moça é feita.

Para te ajudar, eis um breve manual de como agir quando o lado negro da força resolver dar as caras:

"Ciumenta é a mãe, sua vaca!" – Que jogue o primeiro rímel a mulher que falar que não tem ciúmes. Toda mulher é ciumenta. A mulher nasce ciumenta. O ciúme vem junto com o útero. Ao longo da vida, algumas desenvolvem potencialmente e outras, mais amenas, só usam em caso de extrema urgência (considerando sempre o que é extrema urgência para ELA e não para você). É ciúme do homem, da amiga, do cachorro e até do cabeleireiro - a mocréia que ousar cortar os cabelos com ele vai morrer ca-re-ca. Mas o bicho pega mesmo quando a vítima do ciúme é você. Tudo que anda e respira no mundo vira motivo. A fértil imaginação da menina (aliás, outra caracterísica da ciumenta é ser profundamente imaginativa) cria cenas e histórias na cabeça dela enquanto você dorme feliz, olha para o lado porque entrou um cisco no seu olho ou dá uma informação despretensiosa para uma fulana perdida. Enfim, não importa, é motivo e ponto. Amigo, nessas horas você tem que ser forte e compreensivo. Dar as costas para uma mulher em plena crise tem o mesmo efeito de tentar apagar fogo com um balde de gasolina. Pela sua própria saúde e bem-estar, não ignore-a. O barraco pode ser feio. Contorne a situação usando seu charme. Diga, sempre que puder, o quanto ela é única e especial e que você jamais vai traí-la, não só por convicção pessoal, mas porque não consegue nem olhar para o lado com uma mulher como ela na sua vida. É um trabalho a longo prazo, que exige manutenção, mas é tiro e queda, pode apostar.

"Ai, amor, deixa eu ir com você no futebol, vai?" - A grudenta. De repente, você se dá conta de que ela está vivendo a sua vida. Te liga 40 vezes por dia, quer te ver o tempo todo, quer fazer tudo o que você faz, quer ser a melhor amiga dos seus amigos e a melhor nora que sua mãe já teve. Ela leva muito a sério aquela história de "quando dois se juntam, viram um". Aí nem a cueca você escolhe mais sozinho. Bom, ou você explica para a moça que individualidade é importante e saudável ou você vai ter que exorcizá-la da sua vida. Agora, como fazer isso com aquele chuchuzinho sem magoá-lo? Jogo de cintura fenomenal, meu caro, isso é o que você vai ter que ter. Sugira, sutilmente, que ela saia com as amigas, as pobres abandonadas que devem estar azuis de saudade. Conte a ela a verdadeira arena de gladiadores que é o campinho de futebol. Diga como você acha que ela seria mais feliz tendo atividades próprias, tipo uma terapia. E assim, além de você conseguir fazê-la largar o seu pescoço, ela ainda vai te achar o máximo por incentivá-la a fazer coisas sozinha.

"Tira as mãos, senão eu te mato!" – Sua mina é uma doçura. Mas aí, de surpresa, ela resolve quebrar o recorde de quantidade de palavrões possíveis por minuto, inchar como um balão, comer todos os chocolates que aparecem na frente e chorar no comercial dos colchões Paraíba. Você já sabe o que é isso, né? É, é TPM mesmo, um "defeito" quase universal. Proteja-se e muna-se. Cuidado com o que fala e o com o que faz. Esse mal existe sim, e pode acabar com o mais firme e forte amor sobre a Terra. Entenda que a TPM implica, no geral, falta de sexo, falta de humor e excesso de sensibilidade, física e psicológica. Então, o que você tem que fazer, basicamente, é segurar sua onda. Sem brincadeirinhas, sem críticas, sem mão-boba, apenas carinho, cuidado e uma distância mínima segura, mas mínima mesmo, porque se você resolver sumir vai ser chamado de covarde para baixo. Agüente firme esses dias de terror, você pode ser bem recompensado pela sua paciência e, hum, devoção.

"Domingo? Jura?" – Mulher workaholic é uma das raças mais difíceis de lidar. Porque, além da moça priorizar o trabalho e passar o máximo de horas possíveis dentro dele, ela ainda é a rainha da independência, auto-suficiência e amor-próprio. Deixa bem claro que você só tá ali, do ladinho dela, por pura sorte. E se ela ganhar mais que você, paciência, engula essa também. Para ela não existe fim de semana, férias, Natal, Ano Novo e Carnaval. Ou seja, se você for esperá-la para aproveitar a vida, puxe uma cadeirinha e sente. Ok, você entendeu que não vai precisar se preocupar com ciúme, grude ou TPM, mas que, provavelmente, vai sentir uma falta danada de tudo isso. Solução? Amoleça a bichinha, mostre para ela que existe vida além das persianas prateadas. Vá buscá-la no escritório e leve-a para jantar, conte sobre as novas posições do Kama Sutra que você ouviu dizer e como seria legal experimentar com ela, enfim, vá comendo pelas beiradas, chegando de mansinho, ganhando território. Conquiste seu espaço na vidinha dela, só não exagere. Vai que a moça se empolga e resolve virar dona-de-casa da sua casa.

"Amoooor, pega o controle pra mim?" – Começa assim, toda bonitinha e dengosa. Um dia você se dá conta de que o futuro pode ser nebuloso. E gordo. E folgado. E que esse violão que está hoje do seu ladinho pode virar um pandeiro. Mulher preguiçosa não fica gostosa. Aliás, muito pelo contrário. E não é só isso, mulher preguiçosa tende a virar mal-humorada, sem assunto, sem vontade, sem interesse e, ainda por cima, escravocrata. Porque tudo ela vai te pedir, desde um pãozinho da padaria até a declaração do imposto de renda. E ai de você se não obedecer as ordens da moça, chantagem emocional na cabeça. Você já consegue até ver aqueles retratos de família: o homem exausto e cara de coitado, a mulher imensa e histérica jogada no sofá e 500 filhos fazendo a maior pichorra pela sala. Sai dessa, amigo. Mude o rumo enquanto há tempo. Chame a moça para fazer programinhas divertidos a dois: correr no parque, andar pelo bairro, dançar, sexo, escalar uma montanha, enfim, atividades que gastem calorias e tirem a folgadinha da cama, ou não, mas que pelo menos a façam se exercitar por lá. Agora se você também é um forte candidato a Homer Simpson, não reclame, vocês foram mesmo feitos um para o outro.

Claro que existem mais trocentos tipos de defeitos, mas é uma questão de aprender a administrar esses aspectos que a gente pensou que nunca conseguiria aceitar ou aturar na vida. Faz parte do jogo. Não adianta cuspir para cima e dizer "comigo não!", somos todos diferentes e respeitar essas diferenças é que é a etapa difícil da coisa. No final, a gente acaba se apaixonando até pelo lado B e percebendo como ele é essencial na nossa cara-metade. Então, aceite a fofa como ela é com a certeza de que você não é o único que está fazendo esse grande esforço, afinal por mais fascinante que você seja, criatura, se fosse santo estava no céu.

 

 

 

28/03/2007



Escrito por Alana Della Nina às 12h11
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Este texto eu escrevi para o site da ong AFAI - http://www.afai.grupobcs.com.br/index.html. O site é novo e eu estou dando uma força para ajudá-los. Os caras fazem um trabalho muito bacana, confiram.

Meu reino por um mundo melhor

O mundo é nosso. O mundo é grande. E é cheio de gente. Gente que vive bem e gente que vive mal. Gente que come e gente que tem fome. Gente com possibilidades e gente sem.
E, se o mundo é nosso e é cheio de gente, toda essa gente também é nossa. Essa gente que vive mal, que tem fome e sem possiblidades. Essa gente que não tem metade do que a gente que vive bem tem.

Essa gente quer um mundo melhor, uma vida melhor, um futuro melhor. Quer comer, quer se divertir, quer viver. Viver, não sobreviver. Não sobreviver às guerras diárias, às doenças fatais, à ignorância, à violência, à fome, ao frio, à rejeição. E, sim, viver decentemente, com café, almoço e jantar, saber ler, escrever, ser saudável, ser inteligente, ter amigos, ter amor, ser feliz.

Essa gente é nossa gente. E nós temos que cuidar dela. Temos que saber que todo mundo tem direitos iguais. Que o nosso reino tem que ser o reino de todos. Que o nosso mundo tem quer ser o mundo de todos. Tem que cuidar, respeitar e trabalhar para que toda gente seja como a gente. Para que toda gente viva bem, com justiça e paz.

Responsabilidade social devia ser chamada obrigação cívica, devia ser um compromisso de todo mundo e não uma iniciativa de gente com um pouco mais de boa vontade e consciência. Cuidar de quem precisa como cuidar de quem se ama. Cuidar da gente de hoje para que ela cuide da gente de amanhã. Porque esse mundo é nosso mundo e essa gente é nossa gente.

 

14/03/2007



Escrito por Alana Della Nina às 09h11
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Este é um texto tipicamente feminino. Difícil um menino gostar. E entender. Meu namorado não gostou. Mas é importante deixar claro: não é um texto autobiográfico. Não escrevo sobre experiências íntimas, salvo as que tenham caráter irrelevante como as crônicas de Cotidianices. É uma observação de um acontecimento recorrente no universo feminino: a falta de inteligência emocional. E, lógico, o sofrimento causado pelo sexo oposto. Certamente, muitas mulheres vão se identificar. Mas sim, meu namoro vai muito bem, obrigada.


Carta para o cara.

Enquanto escuto Comfortably Numb, do Pink Floyd, fico pensando no tanto de areia que eu sou para o seu caminhãozinho. E apesar da letra não ser sobre dor-de-cotovelo, a melodia me dá um ataque reflexivo e nela eu vou embora. Honestamente, acho que a essa altura até atirei-o-pau-no-gato vai me fazer refletir. Sofrer por você me faz sofrer mais ainda porque, definitivamente, não está certo. Eu sou melhor do que você. Sou mais bonita, mais culta, mais corajosa, com menos desvios de caráter, mais madura, mais divertida, mais gostosa, mais honesta. Tenho mais personalidade, mais garra, mais experiência de vida. Então, caramba, sofra você por mim. Essa deveria ser a ordem natural das coisas, como o sólido virar líquido e o líquido virar gasoso.
Não, mas é você quem vira as costas e vai embora sem fechar a porta, é você quem tem a habilidade genial de fazer com que eu me sinta culpada pelos seus erros. É você quem me faz roer as unhas recém-saídas da manicure com aquela cor de esmalte que você gosta.
Por que eu tenho que aturar as consequências de você ser o que é? Covardia. Eu não traí, não menti, não roubei, não bati, não matei. Mas o mundo não é dos justos, é dos espertos. E isso eu não sou, não emocionalmente. Então toma. Castigo. Para aprender a gostar de mim antes de gostar de você, para aprender que eu não preciso da sua aprovação para ter a minha. Para aprender que suas mãos me abraçando não valem o perrengue de passar a noite esfolando o travesseiro. Que a brancura hipnotizante dos seus dentes não vale o inchaço constante dos meus olhos. Quem sabe um dia eu entenda que você não sair da minha vida mas nunca ser meu é ruim para mim. Que você ser possessivo mas não querer ter dona não é saudável. Que você querer mudar minhas características e depois me deixar de lado não me faz bem. Te dei muito mais do que você merecia, muito mais do que você precisava. Me dei para você e fiquei de mãos abanando. Sempre opcional para quem sempre foi prioridade, torcendo intimamente para ser escolhida, enquanto eu ficava, incondicionalmente, com você. Ficava. No passado. Um lapso de equilíbrio me mostrou que ruim mesmo é te perder aos pouquinhos, é ter você em pedacinhos, tão fragmentados que, quando estou do seu lado não consigo aproveitar, só penso no futuro, se você vai estar lá. Mas, de repente, eu não quero mais que você esteja. Me dá tremedeira pensar em viver passando por isso. Hoje, mais tremedeira do que pensar em viver sem você. Afinal, eu já vivo sem você. Vou fazer que nem a minha mãe me ensinou: vou me amar, vou ter orgulho de mim mesma e vou ficar longe de caras como você, que já foi o cara mas vai ser só mais um cara que passou pela minha vida e que eu ainda vou me perguntar como foi que um dia eu pude ficar com você.
Adeus.



Escrito por Alana Della Nina às 12h10
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Cotidianices - 2º episódio.

No telefone

Alguns canais da minha tevê a cabo estavam fora do ar. Liguei, então, para o atendimento deles, esperando que alguém resolvesse o meu problema.

Atendeu uma moça:

  • Boa tarde, em que posso ajudá-la?
  • Oi, alguns canais da minha tevê estão fora do ar, vocês podem me ajudar, por favor?
  • Seu nome, por favor?

Já prevendo a novela, eu tento:

  • Tem que ser o nome inteiro?
  • Sim, por favor. Para localizar o assinante precisamos do nome completo.
  • Ok, vamos lá, Alana De...

Ela me interrompe:

  • Como? Amanda?
  • Não, Alana.
  • Aline?
  • Não, Alana, Aaalaaanaaa!
  • Alândia?

Uau, de onde ela tirou esse? Até o meu nome é mais fácil! E eu, quase gritando:

  • Nãããããããooo, Alana. A-ele-a-ene-a!
  • Ahhhh... Alana! De quê?

Ai, pronto, de novo:

  • Della, com dê de dado e dois eles...
  • Bella?
  • Não, moça, acabei de falar: dê de dado! E não bê de bola!
  • Ahhh... dois eles, né?
  • Isso... Nina, ene de navio, ene de navio... separado do Della.

Eu até ja decorei o dê-de-dado-dois-eles-ene-de-navio-ene-de-navio-separado-do-della, que nem aquele jingle do big mac.

Mas voltando à atendente:

  • Ene de navio?
  • É, minha senhora.
  • Como assim?
  • Ene de navio-i-ene de navio-a. Nina.
  • Ahhh tá. Tudo junto?

E eu, quase chorando:

  • Não, moça, é separado... separado. Della espaço Nina.
  • Ah sim. Que mais?
  • Ai, moça, só com esses já não dá para achar? Eu devo ser a única Alana Della Nina cliente de vocês. Aliás, eu devo ser a única Alana Della Nina no mundo!

Ela não deve ter gostado da brincadeira, porque disse:

  • Senhora Alana, eu preciso do nome inteiro.

Ok, vai, eu aguentei até aqui, não é o fim do mundo, a última parte é mais fácil:

  • Almeida Melo.
  • Melo com dois eles?

Será que ela estava falando sério?

  • Não, o Melo tem um ele só, minha senhora e o Almeida também!

Silêncio na outra linha. Mais uma brincadeira infeliz da minha parte.

Então, para o meu horror, ela fala:

  • Dona Alana, eu não estou localizando o nome da senhora. A senhora pode repetir?

Eu desliguei. Quer saber? Acho que eu posso viver sem esses canais.

P.S.: Para quem não sabe e caso não tenha ficado claro, meu nome é Alana Della Nina de Almeida Melo. Uma graça, né? Pois é, mas nada funcional. Sempre passo por essas coisas. Fora o velho e bom "Alana? Morissette?" e as piadinhas "Alanas de Pijamas", "Alana, cara de banana" e outras menos ortodoxas envolvendo bananas e coisas de mau gosto, mas essa fase já passou. No fim das contas, cheguei à conclusão que apenas pessoas que se chamam João da Silva ou algo do gênero não sofrem com o nome de alguma forma. Então, paciência, as pessoas que se adaptem aos seus próprios nomes ou aos alheios. E viva a criatividade dos nossos pais!



Escrito por Alana Della Nina às 18h09
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Aqui começa uma série: Cotidianices. Com vocês, a introdução e o 1º episódio.

Cotidianices

Dia-a-dia parece mais do mesmo. O trabalho, as pessoas, a comida, os caminhos, enfim, a velha vidinha de sempre. Não importa se você tem o melhor emprego do mundo, as pessoas mais maravilhosas ao seu redor ou se vai trabalhar de helicóptero para não pegar trânsito, rotina cansa. Ricos ou pobres, velhos ou novos, loiros ou morenos, somos todos vítimas do cotidiano. A não ser que você seja a Glória Maria, que conhece os lugares mais legais do mundo e pessoas super interessantes toda semana, de vez em quando é normal ter uma crise, querer ir embora e abrir uma pousada em Itacaré.

Mas a vida é assim, às vezes chata, às vezes legal, às vezes diferente, às vezes igual, em São Paulo ou na Bahia. Bacana é dividir e comparar aquelas velhas situações que todo mundo passa, uma hora ou outra. Quem não tem uma história para contar? Ou é o trânsito que dá para fazer amizade com o carro vizinho, o tchau devolvido que não era para você, o oi-tá-frio-oi-tá-calor do elevador, o e-mail de alguém que deixou saudade, enfim, acontecimentos diários que proporcionam momentos únicos. Porque rotina gruda mesmo, está sempre lá, invicta e insubstituível e o jeito é tirar o melhor dela e exalar nossa joie du vivre por todos os cantos. Afinal, é a velha história: se não pode com ela, junte-se a ela e seja feliz.

No trânsito

Aqui impera a Lei de Murphy. Incontestavelmente. Ok, sem a velha história da fila do lado andar mais rápido do que a minha. Mas trânsito que é trânsito não falha e te surpreende. Embora essa não tenha acontecido na rua em movimento propriamente, e sim, quando fui estacionar o carro. Você sabe, em São Paulo existe uma conspiração contra aqueles que querem parar seus carros na rua de graça. Ou é a tal da Zona Azul, ou é proibido estacionar mesmo e ninguém sabe o porquê ou são aqueles hominhos que adquiriram o direito, ninguém sabe de quem, de cobrar você por deixar seu carro em um determinado espaço. Mas, enfim, eu parei em um suposto ponto de ônibus. Suposto porque eu tinha quase certeza que ele estava desativado, afinal, o que nunca faltou por ali foi carro estacionado. Tá, você deve estar pensando: mas Murphy não tem nada a ver com isso, você estaciona no ponto de ônibus e acha que está tudo bem? Bom, primeiro que eu nem parei no ponto mesmo, foi bem mais para frente, dava para um ônibus encostar e sair tranqüilamente. Segundo que eu parei por cinco minutos, juro! E terceiro, eram quase dez horas da noite de uma terça-feira chuvosa. Vai, quais são as chances de levar uma multa por causa disso? E é aí que o Murphy, finalmente, entra.

Continuando, eu estava indo para a faculdade levar um documento, aí logo vi a vaguinha no tal ponto de ônibus e parei lá, pensando otimista: "ah, é rapidinho! Não vai acontecer nada!". E eu realmente entreguei o documento rapidinho. Mas, quando eu estava voltando para o carro, eu e meu estômago, mais guloso do que faminto, nos deparamos com aqueles carrinhos de cachorro-quente. Então pensei: "Hum, vou pedir um para viagem". Pedi com tudo o que eu tinha direito nesse mundo, até cheddar e barbecue, o homem enrolou em um papel-toalha e me deu. Lá fui eu, feliz e contente, louca para chegar em casa e comer meu dog. Quase chegando no carro, eu o vi, do lado do meu possante, intrépido, implacável e de bloquinho e caneta na mão. Acho que eu repeti umas 30 vezes consecutivas a frase: "Não me multa, por favor, não me multa!" Ele já devia estar acostumado, porque me olhou com aquela cara de ai-lá-vem e disse: "Mas, moça, você parou em um ponto de ônibus!". Aí eu usei os mesmos argumentos que apresentei lá em cima e ele repetiu: "Moça, isto é um ponto de ônibus" e frisou: "você poderia ter sido guinchada até". Eu tive um ímpeto de jogar meu cachorro-quente embrulhado em papel-toalha nele em uma tentativa de suborno, mas me controlei com a certeza de que, além de fracassar, ele poderia entender errado e me dar outra multa por agressão, sei lá, vai saber, tudo hoje em dia dá multa. Então me contentei em usar meu charme feminino e fazer uma voz tatibitati, implorando: "por favooooooorrrr, por favoooooorrrr". Quando eu comecei a me dar conta de que, talvez, uma multa não seria tão grave quanto ao ridículo que eu estava me submetendo por causa dela, ele finalmente disse: "olha, moça, eu vou ver o que eu posso fazer. O problema é que eu já escrevi no bloquinho e ele é numerado. Se a senhora tivesse voltado um pouquinho antes... Mas eu vou tentar, só não prometo que vou conseguir". Bom, tive que me contentar com essa resposta e aguardar para ver se a minha carta, imaculada até então, ganharia os três pontos (ou cinco?) e se a minha carteira sofreria um rombo considerável.

Moral da história? Se te falarem que um ponto de ônibus está desativado, não acredite porque ele provavelmente não está, senão já não teria nem mais ponto, nem mais ônibus (pois é, eu podia ter pensado nisso antes. Vivendo e aprendendo.), e cachorro-quente faz mal, engorda e, definitivamente, não vale uma multa. Vá para casa e coma uma alface.



Escrito por Alana Della Nina às 16h43
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O último texto do ano (de 2006, claro). Bem temático.

Noite feliz

Descobri que quanto mais velha fico menos gosto do Natal. Até uns míseros anos atrás, eu adorava esse clima de fim de ano. Para mim todo mundo ficava alegre, feliz e bonzinho. Ano Novo então, não tinha nada igual, praia, promessas, fogos, roupinha branca como manda o figurino. Até que um belo ano, o passado se não me engano, eu comecei a achar tudo meio deprimente, complicado, cheio e chato. Atribuí essas sensações ao meu momento na época, que estava difícil, mas percebi que a ansiedade diminuiu depois do réveillon. Bom, fato é que fui assaltada por um incontrolável desejo de passar as festas dormindo. Ou fazendo qualquer outra coisa que me tirasse desse estado aéreo e profundamente depressivo da ocasião. É uma coisa horrível, se ouço alguém no rádio entoando: "Então é Natal e o que você fez, o ano termina e nasce outra vez..." choro até ficar desidratada, se vejo alguém na rua pedindo dinheiro ou comida e penso que ele está completamente abandonado à propria sorte fico para morrer e tenho pena até dos perus de Natal, que, tadinhos, são cruelmente assassinados para o deleite dos burgueses glutões. Enfim, uma espécie de tpm de 30 dias, o que não é nada bom, considerando os graus onde minha tpm pode chegar.

Fiz um levantamento dos acontecimentos da época para tentar descobrir o porquê de tanto drama, levando em conta que, com certeza, eu não sou a única pessoa do mundo que se sente assim no fim do ano.

Voltando aos primórdios da minha, até então, curta vida, lembrei que quando pequena adorava Papai Noel, árvore enfeitada, presépios, três reis magos, musiquinhas, historinhas de Jesus, família reunida, presentinhos e comidinhas natalinas (contrariando a minha solidariedade aos perus). Hoje, como prêmio de consolação, só me restaram os presentinhos e as comidinhas e as taças de prosecco, estas acrescidas à lista depois de uma certa idade, óbvio. Essa conclusão fez com que eu me sentisse uma verdadeira porca capitalista, mas fazer o quê? Afinal, ir ao shopping, masoquisticamente, dia 24 de dezembro e torrar o 13º em presentes de Natal, tentar adivinhar o que as pessoas compraram para você e, no dia 26, trocar o biquininho P que você ganhou de algum engraçadinho por um G, que você pretende usar debaixo de uma burca depois que engordou 15 quilos em uma semana por causa dos malditos tenders, chesters, castanhas, nozes e, tcharam, panetones me parecem os programas mais divertidos da época. Acho melhor do que a obrigatoriedade de encontrar parentes, que quando não são serpentes, são completos estranhos que você vê uma vez por ano ou passar com o pessoal de casa mesmo, que você vê todo santo dia, todo mundo arrebentado de sono por causa das atividades anteriores, mas tendo que aguentar até meia-noite para trocar os cumprimentos de praxe, os presentes e a coisa toda. Apesar de que na minha família já não temos mais essas cerimônias, fato que acredito ter contibuído razoavelmente para o meu anti-clima, e a gente come e presenteia a hora que dá vontade. Ou sono.

Aí dia 25, almoça os restos da ceia, passa o dia se culpando pelas crises de gula e jurando que vai passar a próxima semana à base de maçã e água, fazendo planinhos para o réveillon e aguentando as piadinhas sem-graça do tio que abusou do uísque. E se quiser comprar uma paçoca na padaria esquece porque está tudo fechado, afinal somos todos filhos de Deus e até o comércio merece descanso.

E onde fica a coisa bonita do Natal? A história de Jesus, a religiosidade e tudo o mais? Bom, a fé e espiritualidade que tenho o ano inteiro continuam firmes e fortes, mas não mudam, não afloram, nem nada do gênero. Se isso está errado eu não sei, mas convenhamos que atualmente nada anda muito a favor dessa história toda, né? Mas admito que ainda me emociono quando lembro do verdadeiro significado de tudo isso, as músicas, os filmes e a alegria das pessoas que conservam o espírito natalino. Acho que essas coisas têm um efeito mega nostálgico em mim, já que as lembranças de Natal na minha infância são muito boas, como assistir a "Esqueceram de Mim" por exemplo (eu adoro esse filme).

Bom, talvez tenha faltado uma preparação, o ano foi tão corrido que dezembro aterrissou e eu nem percebi. Acabei não conseguindo curtir esse clima de deixa-tudo-pro-ano-que-vem e descansar a cachola. E, olha que feio, eu nem pensei em nada para 2007. Lógico que não ando por aí sem lenço nem documento, tenho meus objetivos de vida planejados e tal, mas não fiz a famosa listinha, não comprei calcinha especialmente para a ocasião, não mandei e-mail para todo mundo que eu conheço e, essa é inédita, nem escolhi o lugar onde passar a virada. O que significa que eu vou para a mesma praia de sempre ou ficar por aqui na cidade-mãe mesmo. Paciência.

Mas juro que não vou perder as esperanças de que Natais melhores virão. Mesmo que esse ano (e o passado) não tenham dado muito certo, vou recuperar a pequena-eu e lembrar como tudo é legal, me livrando daquela doença do a-cada-ano-que-passa-a-vida-fica-mais-chata. E também vou fazer os rituaizinhos de sempre: presentes, comidas, roupa branca, praia, fogos, trânsito, filas, família e etc. feliz da vida e achando tudo maravilhoso. É isso aí. Feliz 2007!

 

 

 

 

29/12/2006



Escrito por Alana Della Nina às 16h47
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Esta é para os meninos. Ficou tão grande que teve que ser publicada em 3 partes.

Até que ele nos separe

O Clube dos Solteiros que me perdoe, mas namorar é muito legal. Os soltinhos podem até levantar a bandeira daquela história de liberdade, não dever satisfação para ninguém, ir em todas as baladas, agarrar todo mundo, jogar futebol e ficar sujo e fedorento o resto da tarde deitado no sofá vendo mais futebol sem ninguém pentelhando. Mas é fato que quando você encontra um lugar para amarrar o burro não quer soltar mais. Amor é importante e você só descobre isso quando ele está na sua vida. Ter uma mulher bacana para dividir as coisas do dia-a-dia, mais beijo, abraço, sexo, cineminha, cerveja e todas aquelas combinações interessantes é sombra e água fresca, uma maravilha. E, pela lei das compensações, vale a pena. Ou seja, você pode não apertar 17 corpinhos diferentes numa única noite, só que, em contrapartida, vai apertar o mesmo que você conhece, gosta e confia pela noite inteira. Quantidade por qualidade. Bela troca, né? Fora a intimidade, cumplicidade, carinho, companhia...

Aí o sozinho-por-opção de plantão lembra dos almoços em família, festinhas de sobrinhos e outras situações em que você, certamente, preferia estar sujo e fedorento no seu sofá vendo o futebol. Ainda assim, eu continuo afirmando: vale a pena. A intensidade de um relacionamento é bem mais divertida do que noites vazias e dias solitários.

Mas a regra do exagero vale aqui também, namoro bom é namoro equilibrado, aquele que, entre algumas tempestades, é feliz, saudável e te faz bem. Pode acontecer de uma louca cruzar o seu caminho, mas se você achar a suposta tampa da sua panela, não dê você uma de louco porque isso pode botar tudo a perder. Lembre-se que sua namorada não é sua mãe e ela não tem obrigação de te aguentar.

Pensando em te ajudar a ser o namoradão do ano, eu listei, com base na minha, ok, curta experiência de vida e constante observação do comportamento humano, os tipos que praticamente imploram por um pé na bunda todo dia. Veja se você não se encaixa em nenhum deles, caso se encaixe, larga de ser besta, caso não, parabéns e guarde para consultas posteriores.

Prazer, eu sou o Zé da Esquina

Você já deve ter visto acontecer com um amigo seu. Digo amigo porque esse é um mal quase que exclusivamente masculino. O cara conhece a mulher dos sonhos, dá tudo certo, eles engatam um namoro. De repente, ele começa a faltar nos programas dos bolinhas. Primeiro o happy-hour, depois o futebol, até que some completamente do mapa. Aí surgem as hipóteses: "a mina é um E.T. e ele foi abduzido" ou "aquela bunda, eu sabia que aquela bunda tinha algum efeito hipnotizador" ou "será que ele era virgem e ela prometeu sexo em troca de devoção eterna?". É um mistério total o poder que a namorada exerce sobre o cara, parece que ele tem um botão on/off e só ela sabe onde fica. Fato é que o bacanão da turma, social, festeiro, amigo de todo mundo, de uma hora para outra, se tornou o "namorado da Fulana", cujo nome ninguém lembra direito. A parte mais surpreendente é que, algumas vezes, nem ela esperava que o namorado perdesse a alma. Tudo bem, às vezes a menina tem sua culpa, ela incentiva, ameaça, bate o pé e faz do cara o que quiser. Mas, mesmo assim, se ele permite, já tem alguma coisa errada. E de onde vem essa auto-anulação? É fruto de uma carência afetiva, cuja responsabilidade de suprir é jogada nas costas da primeira que aparecer? Ou ele é só um mascarado, que tem toda a pinta de dono da vida, mas na vez dele não impõe nada e se mostra absolutamente sem personalidade? Independentemente da resposta, o que importa mesmo é que esse cara vai perder. Vai perder os amigos, as coisas que ele gosta de fazer, a individualidade, as vontades e, lógico, a namorada. Se ele não consegue nem respirar sem a menina e é capaz de transformá-la na sua estrutura vital, as chances de se dar mal nessa história são altas.

A solução? Olha, honestamente, eu não sei. Acho que o auto-diagnóstico é complicado. Mas se o cara se tocar que o caminho está errado, acredito solenemente que dá para mudar o rumo. Olhar para outros lugares, ver o que deixou de lado, recuperar sua vida, sua essência, não depender dela. Quem sabe assim dê para perceber o quanto é importante se gostar em primeiro lugar.



Escrito por Alana às 14h49
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Parte 2.

Norman Bates

Poucas coisas são tão ruins para nós, mulheres, como namorados que querem limitar nossas vidas à existência deles. Traduzindo: o ciumento, psicopata, obsessivo. É um saco ter que dar satisfação, explicar que você não atendeu o telefone porque estava comprando pão. O cara diz que confia, mas se a namorada arrisca falar que hoje vai ter um programa de lulus, seja tricotar, comer uma pizza, qualquer coisa assim, ele vira fera e acha que programa de lulus só pode significar ir no clube das mulheres. A melhor amiga dela vira a malvada do ano, cuja única missão na Terra é fazer com que a menina coloque um belo par de chifres na cabeça dele. Por mais que o psico mereça, ela não faz isso e, do mesmo jeito, continua sendo vítima de agressividade, loucura e insegurança. Cena comum essa. E insuportável. Tudo bem achar que sair de decote + minissaia é um pouco demais. E também concordo que tem muita mulher por aí que gosta de ser malandra, deixar os homens em pólvora, roendo as unhas do dedão do pé, porque as das mãos já acabaram. Só que o assunto aqui é o ciúme sem propósito, do cara que é inseguro e, mesmo que a menina seja a mais fiel e dedicada das criaturas, ele fica mal.

Entre a mulherada inconformada, a única explicação possível é a seguinte: o cara é cafa. Sabe como é, o ser humano tem o terrível costume de achar que o mundo é um espelho e que todos pensam e agem como ele. Logo, o espertinho, em vez de se sentir culpado por ser um galinhão, fica morrendo de medo de que a menina também esteja batendo asas por aí. Acho até plausível, mas me convence mais a questão da insegurança, aquela história de não confiar no próprio taco. O cara tem uma auto-estima tão baixa que só consegue lidar com isso na porrada. Às vezes, literalmente.

O Norman Bates só não é Zé da Esquina porque ele tem identidade, personalidade e deixa claro: quem manda é ele. Mas o tipo obsessivo é o mesmo.

Muito se engana quem acredita que o amor fala mais alto e a namorada não larga o cara. Mesmo que ela o ame loucamente, não tem como aguentar e, no final, larga sim, mas precisa tomar coragem e medidas preventivas antes. Sem brincadeira, tem homem que pira quando leva um fora, persegue a namorada, ameaça se matar, matá-la e matar o primeiro que encostar nela, chora, grita, faz escândalo, liga para a mãe da coitada, enfim, horrores.

Se você for um ciumento leve, daqueles que não gostam de ex-namorados insistentes ou de ver a bonitinha rodeada de marmanjo, normal, só cuidado como vai lidar com a situação. Mas se for pesadão, daquele que controla cada passo da menina, acorda! Você não é dono de ninguém e vai acabar, na melhor das hipóteses, sozinho e, na pior, preso.

Eu, você e todo mundo

Homem cheio de amiga é o terror de qualquer namorada. Se for amiga de verdade, daquelas estilo irmã, é até aceitável, o problema é quando ele é o mister social e trata todas carinhosamente, com nominhos fofinhos, mil abracinhos e beijinhos. Pelos diminutivos, dá para sentir o tom pejorativo, né? É, irrita mesmo. Pior ainda é quando as amiguinhas tratam a menina mal, olham torto e ainda têm a coragem de chamá-la de sua namoradinha. Aí é o fim. Para você, homem, desligado e alheio aos problemas femininos, isso não deve significar muita coisa. Mas tenha certeza que a sua pobre garota fica doida com isso. E não é de ciúmes, acredite. É que é insuportável ter um namorado que não defende, impõe, cuida. Aí ela vira motivo de chacota e quem perde pontos é você. Também, parece que a menina tem que te dividir com todo mundo. Que fulana e beltrana conhecem você melhor do que ela. Que hoje não vai dar para sair porque vai jogar bola, amanhã também não porque vai ter uma festinha de despedida de algum amigo e por aí vai. Aprenda: mulher não gosta de ficar em segundo plano. Ela não precisa ser a razão da sua vida, mas também não dá para ocupar o último lugar da fila. Até porque o último lugar da fila é tão tedioso e solitário que abre espaço para procurar posições mais favoráveis nas filas alheias, como a daquele bonitão que sempre deu em cima dela e aguarda ansiosamente por uma oportunidade de mostrar como está disposto a dar toda atenção e amor do mundo, de braços (e que braços) bem abertos para a fofa.

Mostre o quanto ela é importante, seja carinhoso. Aí você me fala: mas eu sou péssimo para demonstrar meus sentimentos. Tá, mas mesmo concordando que mulher é literal até os ossos, acho que existem outras formas não-verbais de dizer à sua respectiva que ela é seu doce de coco. Se ela te conhecer bem, vai entender.

Muita gente nem se dá conta do quanto é valioso investir em um relacionamento bacana. É tão difícil achar uma pessoa que, além de legal, seja a sua cara e goste de você de verdade. Por isso, dê atenção para a sua namorada, cuide dela, faça a menina se sentir especial e única, ela merece.

 



Escrito por Alana às 14h48
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Parte final.

A Última Banana do Planeta dos Macacos

Lembra do Zé da Esquina? Este é exatamente o contrário. Tem um ego tão inflado que faria Narciso ressuscitar do lago. Acha que a escolhida para ocupar o posto de namorada devia ajoelhar no milho seco e agradecer todos os dias por ter um homem tão maravilhoso ao seu lado. O cara se acha pacas. Ele e mais ninguém. Talvez a mãe ou uma e outra perdida, mas, no geral, este tipo incomoda muita gente. E nem se toca.

A namorada é uma vítima em potencial. Não pode ser mais bonita, inteligente ou fazer piadas mais engraçadas. Não pode aparecer mais, ganhar mais e ser melhor no videogame. Isso não significa que ele queira uma mula horrenda do lado dele, afinal, um adônis desse precisa estar bem acompanhado. O que importa mesmo é que ela seja sempre menos.

O cara tenta anular a menina, amarrá-la aos pés dele, deixá-la em um papel secundário, aqui ela é a "namorada do Fulano", sempre apagadinha, sempre atrás.

Sim, ela pode ser uma Maria da Esquina Com Incentivo, mas é raro. Geralmente, ela nem percebe que está sendo "convertida" e, quando se dá conta, ou tenta mudar ou cai fora. Isso mesmo, cai fora. Ninguém aguenta viver à sombra do outro.

Engraçado no Última Banana é que essa concorrência ele só disputa com a pobre, não se opõe ao amigo mais bonito, o coleguinha de baia mais inteligente, o cara do clube melhor no futebol. Porque é nesse ponto que entra a namorada-bode-expiatório. E é nela que ele aproveita para ficar por cima. Triste, né? Principalmente porque o cara faz questão de mostrar ao mundo a sua superioridade e joga a coitada lá no chão.

Mas tudo muda de figura quando a tal da coitada vira o jogo e manda o cara passear, bem longe de preferência. E só assim o bonitão tem consciência de sua perda, mesmo que não se dê conta de que foi provocada por ele. E, às vezes nem assim, já que falta essa percepção de que não há santo que tolere essa egotrip e comportamento mesquinho. Afinal, a história é essa mesma: já que você se basta sozinho, fique sozinho.

Síndrome de Pinóquio

Pior do que homem que mente é homem que não sabe mentir. Aquele que é mau caráter mas não consegue ser malandro. Que tenta enganar a namorada, mas treme na base só de ouvir uma mínima pergunta. E é tão covarde que foge ao menor sinal de fumaça. Nenhum charme.

Não, não estou defendendo os cafajestes-mestres em absoluto. Estes são terríveis e morro de vontade de arrancar as unhas deles com alicate de mecânico. Mas já é um velho conhecido com a mesma fórmulinha de sempre. Sem segredo, só cai quem quer.

Agora o medrosão é o fim da picada, porque além de tentar enganar a menina, não tem firmeza, não tem palavra, não tem nada, só uma cara de bocó que não comove nem a mãe dele. Quando mente, fica tão inseguro que se entrega sozinho, ou, metaforicamente, fazendo jus ao título, sente seu nariz crescer.

Ele não merecia nem esta coluna, não fosse pelo fato da máscara de pobre-coitado lhe cair tão bem no começo. O sujeito faz o gênero fofinho, queridinho, cachorro magro e perdido, que dá vontade de colocar no bolso. Aí a menina sozinha, desemparada, jura que nunca conheceu uma criatura tão gentil na vida e se encanta no mesmo segundo. E desencanta, lógico. Afinal, máscara que é máscara, tcharam, uma hora cai. Aí ela percebe que além do cara ser um bundão de primeira, ainda tem a pachorra de tentar fazê-la de besta, vê se pode. O desfecho é previsível: a furiosa garota, na sua condição de mulher-enganada-por-um-trouxa vira o diabo e manda o cara para o inferno com o rabo entre as pernas.

Fica como liçãodescobrir que é uma tolice fenomenal tentar ser algo que a gente não é. Principalmente se esse algo for ruim. Se você é bonzinho, não tente dar uma de pitbull. Assuma seu lado bebê e seja feliz, uma hora você encontra alguma garota que ache isso superlegal, por mais difícil que seja crer que as mulheres não gostam só dos maus. Mesmo sabendo que a maioria prefere, eu ainda acho que todo pé tem seu chinelinho, então acredite, você acaba encontrando a sua cara-metade.

 

Você deve estar me achando a mais exigente das criaturas e que eu não tenho nada mais a fazer a não ser buscar o protótipo do homem perfeito. Mas, com sua perspicácia masculina, pôde reparar que todos os meus padrões de fora-instantâneo acima têm muito em comum. Eles se misturam, às vezes se contrariam, às vezes se complementam.

Eu tentei fazer aqui, um retrato das características realmente insuportáveis e que, no fundo, são tão ruins porque denotam a mesma coisa: falta de respeito. Afinal, o respeito mútuo é a base de qualquer relacionamento no mundo, seja sua namorada, seu amigo, sua mãe ou seu cachorro e, se ele não estiver nos mínimos detalhes, nada funciona.

Se eu fosse listar todas as coisas chatinhas, ainda colocaria: o que levanta a tampa da privada para sempre, o que deixa tudo espalhado como se tivesse tirado cada peça de roupa em um aposento diferente, o que muda constantemente os canais da televisão, o que não percebe que a namorada cortou o cabelo, pintou as unhas, sei lá, mudou alguma coisa no visual, o que fala que a menina está gorda, mas fica bravo porque ela recusa um chopinho, enfim, aquele monte de clichês que você certamente já conhece. Mas todas essas coisas fazem parte da convivência e não matam ninguém.

Onde importa mesmo é lá no fundo, é você saber que, a partir do momento que está com alguém, se torna responsável pelos sentimentos que causa na pessoa. Em partes, pelo menos. É aprender a viver, respeitar, conhecer, compartilhar. E ter prazer em tudo isso.

Namorar é legal mesmo e com o tudo o mais que já falamos é melhor ainda. Então, torço para que você ache a sua tampinha. Caso já tenha encontrado, comporte-se como uma boa panela e seja feliz.



Escrito por Alana às 14h47
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Lá vem ela

Você sabe aquela coisa que assola milhões de mulheres pelo mundo? Aquele fenômeno inexplicável que todo mês faz uma visitinha deixando um rastro de terror por onde passa? Que faz até o mais paciente e bonzinho dos homens sair correndo? Sim, é ela. A TPM.

Alguns incrédulos engraçadinhos afirmam, sem medo de morrer, que é uma desculpa para a gente deitar e rolar no período. Pois é, queridos, sinto lhes dizer que vocês estão enganados. Redondamente. Nós, pobres mulheres, sofremos de TPM sim, com exceção de algumas que foram abençoadas pela fada da Pré-Menstruação Tranquila, mas em compensação devem passar horrores com cólicas. Bom, de um jeito ou de outro a gente acaba sofrendo.

Acredite se quiser, a TPM é mais difícil para nós, mulheres que padecemos deste mal, do que para vocês, homens, parentes e amigos, nossas vítimas nesses cinco, às vezes mais, dias de terror e tortura. Além de virarmos monstros inchados e chorões, ficamos à flor da pele, altamente suscetíveis a bruscas alterações de humor. Qualquer gota d’água é um dilúvio, qualquer fechada no trânsito é a maldade do ano do cretino-sem-coração-que-deve-ter-comprado-a-carteira-de-motorista e qualquer mordida desavisada no nosso chocolate é fatal, para quem morde, é claro. Eu já chorei com a musiquinha do caminhão de gás, com discurso de Miss Universo, ouvindo David Bowie e quando o Nico voltou para a Grécia, e olha que eu nunca tinha assistido Belíssima na vida. Já tive crises de stress quando minha unha quebrou, meu cabelo embaraçou, a calça não entrou, o doce acabou e o despertador tocou.

O interessante da TPM é que é fonte inesgotável de conversas, pesquisas, discussões e brigas. Quem não tem não entende, quem tem não entende como quem não tem não pode entender! Entendeu? É, confuso, mas é isso mesmo. Porque no fundo, a única coisa que queremos é compreensão. Ok, vai, mentira, não é a única, também queremos ser amadas, paparicadas, elogiadas e todos os adas do bem. Mas essas são consequências que só acontecem se formos compreendidas! Senão é aquele vício: se eu estou histérica e quem estiver do meu lado resolver ficar também, aí eu fico mais ainda, aí a gente brinca de quem grita mais alto. E essa brincadeira, definitivamente, não tem a menor graça. Logo, companheiros, amigos, parentes e quem mais que tiver que aguentar essa época de crises, tenham paciência, muita, muita mesmo, aquela compreensão que nós já conversamos e perseverança, afinal, tudo acaba e a fofa volta a ser fofa. Até o mês que vem.

 

                                                                                                                                                                                         24/08/2006



Escrito por Alana às 13h38
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Cadê o espelho?

Outro dia me perguntaram se eu era vaidosa. Eu respondi: acho que não muito, nunca fui. Hoje mais do que antigamente, mas não sou daquelas que não vai nem na padaria sem um batonzinho. Nunca uso maquiagem, só se for em "ocasiões especiais", sou a rainha da cara lavada, nunca faço nada diferente no cabelo, raramente uso um salto (não consigo andar), não passo fome, não me privo de doces e, tampouco, sou obcecada por magreza. Aí você diz: assim é fácil, né? Você já é magra. Eu sou mesmo, às vezes nem queria ser tanto (minha mãe jura que eu vou me arrepender desse desejo um dia), mas não encano, meu corpo não me dá trabalho. Explicando melhor: não sou obcecada por perfeição estética, nem quero ser "a" gostosa (se bem que isso facilitaria na hora de correr de biquíni. Sim, eu corro de biquíni). É, não sou a miss vaidade, mas tenho minhas coisinhas: passo meus creminhos, fico em dúvida entre o esmalte vinho paixão e o vinho tinto, arranco todos os pêlos fora de lugar (infelizmente, minha genética me presenteou com muitos), não suporto quando nasce espinha, adoro uma minissaia, faço muito exercício (porque gosto e o resto é consequência) e quando estou com cara de almofada passo um lápis.

Mas, autobiografia à parte, vaidade é uma coisa relativa. Não escolhe sexo, classe social, idade e todas aquelas coisas que não podemos ter preconceitos. O que é bonito para uns nem sempre é para outros. Tudo bem que algumas coisas são indiscutivelmente belas (e o contrário também acontece), mas tem gosto pra tudo no mundo. Acho que uma criatura que pinta o cabelo de azul e se dá ao trabalho de acordar mais cedo para passar altas doses de maquiagem no rosto e escolher, cuidadosamente, roupas que não combinam, é vaidosa. A patricinha que curte marca e só sai de casa com um cabelo mais liso que melancia, a vó que passa 3 horas no banheiro mandando ver no laquê, o pessoal que acha que legal é fazer uma plástica por semana, o cara que tem tanto piercing e tatuagem que é impossível adivinhar sua verdadeira aparência, o adolescente que coloca camisetas justinhas para exibir os músculos recém-conquistados na academia ou de formas mais ilícitas, as popozudas que, com muita força de vontade e paciência, se enfiam em calças apertadíssimas e se equilibram em saltos altíssimos, as morenas que querem ser loiras, as loiras que querem ser morenas (existem essas?) e todas as que querem ser ruivas (ruivas naturais geralmente gostam ou se conformam com sua condição, já que, normalmente, as sardas impedem a mudança do tom do cabelo). Até a Janis Joplin, ícone hippie, era vaidosa, com suas plumas e óculos extravagantes.

Pensando em tudo isso, cheguei ao seguinte ponto: Vaidade não é apenas querer estar bonita (ou bonito), é querer ter seu lugar no mundo, ser reconhecida por ser você mesma ou, às vezes, se encaixar em um determinado padrão, enfim, deixar sua marquinha registrada e lógico que isso inclui estar bonita, mesmo que seja a partir da sua ótica. E (voltando a mim) eu também quero ser bacaninha, bonitinha e única, é tão sem graça ser sem-graça. Posso não ser a perua do ano, mas adoro minhas frescurinhas e meus rituais de beleza. Mesmo que meu ritual de beleza seja meditar, enquanto o da vizinha é levantar uns pesinhos com bobes na cabeça. O que importa é gostar de si mesmo e (excessos à parte) fazer o que te deixa feliz, seja usar a roupinha da moda, andar peladão e fazer campanha a favor do naturalismo, pintar o cabelo de azul e cortar moicano. É isso aí: seja vaidoso, seja diferente, seja você.

 

 

26/07/2006

 



Escrito por Alana às 16h19
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Invasão Cibernética

Não gosto de computador. Nunca gostei. Mesmo passando a maior parte do meu dia na frente de um (escrevendo textos como este, por exemplo). Bom, ossos do ofício. Mas meu negócio ainda são as palavras impressas: gosto do papel, das notícias inteiras, e não fatiadas para caberem na telinha do micro.

O que me incomoda não é o computador em si, é essa tecnologia invasiva que está dilacerando todas as outras formas de comunicação, inclusive a física.

Eu sei que existem inúmeras vantagens e facilidades proporcionadas pela maquininha. Não nego que adoro essas tranqueiras de msn, orkut, blogs, googlezices, e-mails com piadinhas, e-mails do tio da China e afins, também não sou tão pré-histórica. O problema é o homem e seu maior mal: o exagero. Não pode descobrir ou inventar nada que já chuta o balde. Falta equilíbrio para as coisas boas não se tornarem ruins. Vide a natureza, bichinhos em extinção, pessoas em extinção... Mas esse é um assunto mais profundo e abrangente, portanto, vamos voltar ao computador.

O futuro é dos webs, mesmo que esse futuro dure pouco. Porque, atualmente, tudo dura pouco. O que aparece na internet hoje é volátil, descartável, não marca, não fica. É instantâneo, e acho que é essa mesma a intenção, causar o impacto desejado e vamos para a próxima. Então seria apenas uma questão de botar cada um no seu devido lugar. Pois é, se não fosse o tal do exagero.

Antes que legiões de informáticos taquem seus mouses na minha cabeça, vou deixar claro que não critico a ferramenta e sim, o modo como ela é utilizada. Afinal, o negócio é muito útil, mudou o mundo, mas não pode substituir tudo!

Bom, estou trocando meu chip e me adaptando às mudanças constantes, mas continuo não gostando de computador. Talvez para ver meus negocinhos e escrever meus textos, mas ainda prefiro o bom e velho calor humano.

 

 

20/04/2006



Escrito por Alana às 11h21
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Primeiro texto do ano! Demorou... mas saiu!

Eu comi a última bolacha do pacote

Irmãos e irmãs de todo o mundo, este texto é dedicado a vocês que, a duras penas, aprenderam a fantástica arte de dividir. Entre medidas dos copos de Nescau a roupas na adolescência, compartilhar não é uma das tarefas mais fáceis do mundo.
Você sabe que se comer a última bolacha, o último pedaço de pizza ou tomar aquele restinho final de Coca, mesmo que sem gás, está fadado a ter esse lapso de egoísmo jogado na sua cara pelo resto da vida.

Mesmo que os exemplos acima possam parecer uma banalização dos nossos velhos problemas sociais, o rico cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre, falo com conhecimento de causa sobre o assunto. Primeiro, porque acho que certas coisas a gente aprende em casa, na nossa infância. E são essas certas coisas que constituem, pelo menos, a base do que somos hoje. Segundo, porque venho de uma famíla de sete irmãos, logo divisão é uma constante, e não digo só sobre as bolachas, mas também sobre privilégios, sentimentos, entre outras coisas.

Acredito em todas aquelas coisas como "a união faz a força" e "unidos venceremos", adoro quem se preocupa com os outros e faz tudo para ver alguém feliz. Isso tudo de graça, lógico, senão perderia a razão de ser. E é aquela velha história do mundo: poucos com tanto e tantos com tão pouco e dividir é difícil mesmo, mas a gente aprende na marra e, no final, acaba gostando.

É isso, irmãos e irmãs, não é um discurso religioso, mas serve para refletir. Aproveitem os momentos de convivência com os outros rebentos de seus papais, colegas escolares, universitários ou profissionais, vizinhos entre outras pessoas da sua vida para praticar. Dividam, dêem, doem de coração. E não briguem pela última bolacha. Não vale a pena.

 

 

22/02/2006



Escrito por Alana às 14h22
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A menina ao contrário

 

Outro dia, conversando com uma querida amiga sobre as coisas que escrevo, ela me deu a seguinte sugestão: que eu escrevesse sobre ela. Depois de quase morrer de rir com sua crise de egocentrismo, pensei um pouco e achei que ela poderia ser uma pauta interessante.

 

Antes de tudo, quero deixar claro que ela é uma pessoa normal, nenhuma excentricidade, nenhuma extravagância. O que a torna uma pauta em potencial é o curioso fato de pensar e fazer certas coisas totalmente avessas a qualquer caso que eu já vi, quebrando, o que eram na minha opinião, certos paradigmas universais.

 

Parece exagero, mas o que dizer de uma pessoa que faz um regime de engorda , cuja base é bolacha de chocolate? Ela é magrinha, no ponto, acho eu. Mas ela quer engordar. Quando a balança desce, ela chora, fica triste, adora quando suas calças ficam apertadas e vem toda sorridente me contar: engordei 500 gramas! E eu a parabenizo e a gente comemora com mais bolachas. E depois, sozinha com meus botões, eu me pergunto: que raios de pessoa que fica alegre quando engorda? Óbvio que não estou considerando infelizes exceções, e sim, pensando no perfil dela: na faixa dos 20 anos, universitária, que trabalha. Aliás, vou um pouco mais longe: quantas mulheres têm esse tipo de objetivo? É, no mínimo, diferente.

 

Mas isso ainda é pouco, principalmente quando eu penso em mais uma: ela adora trânsito. Trânsito mesmo! Congestionamento, carros parados na Marginal e tudo o mais. É hilário quando chego no trabalho e ela me diz: Nossa, hoje foi muito ruim! O ônibus veio muito rápido, não pegou nadinha de trânsito! Você acredita? E eu faço aquela cara de puxa, que falta de sorte a sua, não?

E tem a história que ela acha o máximo quando o ônibus quebra. Certa manhã, ela chegou, sentou e me disse: Meu ônibus quebrou hoje! E eu, amiga com pena: Que chato... e ela: Chato, nada! Muito bom!

 

Fora que ela gosta de pagar a passagem dos outros, outro dia brigou comigo porque passei na catraca do ônibus antes dela e ela não pagou para mim. Queria que eu descesse do ônibus e passasse a catraca de novo!

 

E por essas e outras que decidi homenagear essa figura memorável. Além de uma grande amiga, é uma pessoa e tanto, mesmo com suas casquetices. E, justiça seja feita, ela tem seus motivos.           

Bom, pelo menos eu não discuto.

 

28/11/05



Escrito por Alana às 17h29
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Demorei, mas voltei. Este é totalmente sazonal.

Além das paredes brancas

Afinal, a vida é mais do que uma mesa de docinhos

 

A minha máxima da semana é: Nada é tão ruim que não possa piorar.

Não digo isso por pessimismo, mas porque me espanta a capacidade das pessoas de se estressarem tanto por coisas idiotas. Tive uma experiência bem aporrinhante em um domingo com uma mesa de doces para uma festinha que deveria ser bacana. Aí gente reclama daqui e põe o brigadeiro lá, gente reclama de lá e põe o doce de nozes ali. E, subitamente, eu me pergunto: o que estou fazendo aqui? Num domingão, dia mundial do nada em lugar nenhum, um evento que era para ser divertido virou uma chatice sem tamanho.

 

Acordando

Essa história de docinhos é só um exemplo de uma coisa que acontece o tempo todo: o stress em massa. Às vezes nem são problemas idiotas, mas, ainda assim, não merecem a atenção que costuma ser dispensada a eles. Tem sempre coisas piores acontecendo, porque, infelizmente, enquanto tem gente se preocupando com a estética do brigadeiro com o docinho de nozes, tem gente morrendo de fome. É um discurso velho, daqueles de mãe, mas é profundamente verdadeiro.

 

Bobo e feliz

Pensar o tempo todo nas dificuldades da vida só a torna mais difícil. Sem sentido? Não, é exatamente o  que fazemos a maior parte do tempo: tornamos a vida mais difícil, mais chata, mais burocrática. O cara enfiado no escritório, bitolado com desafio, querendo crescer na carreira, esquece que há vida atrás das persianas prateadas da salinha dele.

Pode parecer brega, mas dar valor às coisas simples vale a pena. Porque as coisas mais simples são as melhores. E adotar essa filosofia é uma boa solução para não esfrangalhar a cachola toda vez que aparecer um problema. Viver feliz parece extremamente utópico, mas não é, é a realidade de cada um. É, acho que é isso que significa o famoso: cada um com seus problemas.

 

 

 

08/11/05



Escrito por Alana às 16h45
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Alanas (vááárias Alanas)



Escrito por Alana às 14h09
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Essa é novíssima! Acabei de escrever...

Somos todos bonitos

 

É tudo uma questão de ótica

 

 

Há um tempo atrás, a Dove lançou uma das campanhas mais legais que eu já vi: a campanha pela real beleza, mostrando mulheres gordinhas, magrinhas, peitudas, despeitadas, bundudas, desbundadas, altas, baixinhas etc.

Muito bacana mostrar a mulherada do jeito que é, ainda mais nessa mídia anoréxica, que só gosta de gente alta-magra-linda-maravilhosa e convence as pessoas, principalmente as mulheres, que é assim que elas devem ser. Quanta besteira...

Não acho que uma pessoa tem que ser valorizada pela sua beleza, sem filosofia barata, tem tanta coisa importante no ser humano, não dá para achar que beleza é tudo, principalmente quando se fala em mulher, que, geralmente, é muito mais do que uma bunda carregando o resto. Tudo bem, vai, algumas vezes não.

 

Celulite, sim, qual o problema? 

Um dia desses coloquei uma calça branca. Nada apertada, nada vulgar, mas uma calça branca é sempre uma calça branca. Por mais larga e menos transparente que seja, ela marca algumas coisinhas indesejáveis. Tem gente que fala que é neura minha, que, imagina, não tem nada marcando, e tem gente que fala que eu devia tomar vergonha na cara e tirar a calça que tá marcando tuuudo! Bom, paciência, não vou tirar nada, a calça combina com a minha roupa, eu tenho celulite mesmo e a vida é assim, fazer o que? Pare de olhar para minha bunda e ouça o que tenho a dizer, que tal? Um pouco agressivo, né? Pois é, mas muitas mulheres sofrem com isso. O problema é que a celulite é como os seios, os hormônios incandescentes, a falta de noção de espaço, inerente à mulher, ou seja, toda mulher tem, não adianta dizer que não, tem sim, mesmo que seja só quando aperta.

 

A gente é o que a gente faz 

Claro que isso não significa que não temos mais que nos cuidar e deixar a vida tomar conta dos nossos extras, afinal, apesar de ter coisas que não controlamos, nós escolhemos o que comemos e o que fazemos, certo? Não estou dizendo que a gente faz o que a gente quer, porque isso não é verdade. Mas somos o que queremos ser, naturalmente. Nossas escolhas são os que nos tornam as pessoas que somos hoje, independentemente de sermos gordos ou magros, baixos ou altos, loiros ou morenos.

Cheguei à conclusão de que somos todos bonitos, polianices à parte, somos todos bonitos mesmo. Porque saber apreciar alguém vai além de achar uma mulher bonita e gostosa, é ver algumas coisas a mais, peculiaridades, hábitos, gostos, manias, gestos, coisas que são tão naturais que parecem até inerente às mulheres, igualzinho celulite.

 

 

 

 

18/08/2005



Escrito por Alana às 14h08
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Essa aí é veeelha... tinha que escrever sobre ética. Como eu acho o assunto chatinho tentei fazer do meu jeito...

Cada um na sua

 

 

Ciclistas aquáticos, evitem ir para a Carolina do Norte, EUA! Em algum lugar de lá, há uma lei que proíbe andar de bicicleta dentro da piscina!

 

É curioso observar as mais diferentes leis espalhadas por um mundo que prega ideais universais. Esses ideais atendem pelo nome de ética, que, ao meu ver, é uma senhora muito distinta que só faz coisas certas e luta contra o dito imoral e indecente, ou pior, o antiético.

 

Já as leis, são as próprias nações que elaboram de acordo com tradição, religião, vontade, fobia, sei lá. Na verdade, são baseadas no que é considerado moral ou ético por cada um, mais particularmente. Inclusive, há leis que se contradizem por aí.

 

Conclusão: ética, valores morais com preceitos mundiais. Lei, valores éticos determinados por uma nação. Sabe o que isso me lembra? Aquela velha história: será que as facas Ginsu, famosas por fatiar absolutamente tudo, cortam as meias Vivarina, que nada é capaz de rasgar? Ou seja, há, nos dois casos, um paradoxo. Porque, então, lei e ética são diferentes?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

02/06/2002



Escrito por Alana às 11h11
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Eita... faz tempo que eu não publico nada... Bom, esse aí eu não gosto tanto, mas muita gente gosta, deve ser uma identificação...

Bomba atômica

 

Estourei... Estourei mesmo, e daí? Quem nunca estourou? Ou, pelo menos, nunca teve vontade? Estourei, explodi, implodi! Não sou de ferro... Gritei, chorei, briguei, bati, xinguei, fiz tudo que tinha direito, e até o que não tinha.

 

Tá bom, tá bom, que feio e coisa e tal, existem outras formas de resolver as coisas, mais civilizadas. Mas, quer saber? Tem horas que aquele papo de boa educação, melhores escolas, bons livros, boas influências, “tenho classe e não desço do salto” que se dane! Há momentos na vida que nada é tão bom quanto estourar mesmo, chutar o balde, o pau da barraca, perder a linha, armar um barraco... Pode até não resolver uma situação, mas resolve seu estado de espírito, evita rugas, cabelos brancos antes da hora, gastrites, úlceras....

 

Não há nada pior do que remorso. É horrível! Faz mal! Mata! Ou você ou o coitado que estiver mais próximo... Acumular as coisas, sorrir amarelo e fingir que está tudo bem, até que, em um belo dia de sol, toda aquela frustração e mágoa vêm à tona: “Porque em mil novecentos e bolinha, você falou que eu era...” Demais, né?

 

Cinco minutos. Cinco minutos é tempo suficiente para sanar qualquer explosão. Só não vale virar uma bomba ambulante, louca, psicótica, qualquer motivo ser o motivo, senão não há cristo que agüente....

Mas, ai, ai, estourar, às vezes, é tão bom, e melhor ainda: depois dos cinco minutos parecer que nada aconteceu, a não ser você sair com a leve impressão de que, tão cedo, você não terá rugas, nem cabelos brancos...

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                                               29/10/2004

 

 

  



Escrito por Alana às 13h58
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Sim, essa é uma história verídica...

Rei das pérolas

 

Rei das pérolas. Esse era um amigo meu. Lindíssimo ele, e sabia disso. Vaidoso. Daqueles que deixariam Narciso encabulado. Mas falava cada coisa... Só ouvindo para acreditar. Ele era, como dizia Monteiro Lobato quando se referia à Emília, “uma torneira de asneiras”, e, meu caro, quando ele abria a torneirinha, não tinha para ninguém. Eram uns absurdos do tipo: “O ator do filme era bom. A atora também...” e por aí vai...

 

As menininhas caíam aos seus pés. As tão desmioladas quanto ele, achavam-no o máximo, aquelas que tiveram a sorte de esbarrar em alguns livros na vida, não resistiam à sua beleza e aturavam o resto. Ele era o famoso garanhão, aquele que fechava as rodas de conversa. Quem o conhecia de longa data só dava risada...

 

Mas, para mim, esse cara entrou na história das pérolas com o seguinte, inacreditável, mas verdadeiro, caso: ele fazia essas promoções para bares, danceterias e afins. Em um desses trabalhos, o dono de determinada casa noturna estava muito bravo, reclamava que pagou uma fortuna em promoção e o retorno tinha sido baixíssimo. Meu amigo percebendo que estava com a corda no pescoço teve uma brilhante(?) idéia. Levantou a mão, empolgadíssimo, e quando atraiu o olhar de todos, inclusive o do chefe, que assentiu com a cabeça, sugeriu: “Por que não fazemos a Festa Dublê?”

Festa Dublê? Que espécie de festa era essa? Diante dos rostos curiosos ele emendou: “É! Festa Dublê! Eu faço evento há anos e essa festa é sempre um sucesso!”

Desfiou, então um discurso sobre a importância da misteriosa Festa Dublê, enquanto seus companheiros o fitavam desesperados.

O chefe, já demonstrando sinais de que sua paciência estava no fim, pergunta: “Que diabos de festa é essa, que eu nunca ouvi falar, moleque?”

E o bonitão, com a cara mais lavada do mundo: “Festa Dublê, oras! Aquela em que você pede um uísque e ganha outro...”

 

Quase mataram o menino, coitado. O cara fazia promoção há anos e não sabia nem do que estava falando. Não era Dublê, era Double...

 

 

03/11/2004



Escrito por Alana às 11h07
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Esse aí foi para o colégio, lá em 2002. Fala da Copa do Mundo, do Brasil, da situação do país etc, etc. Aquela velha história de debater os valores invertidos...

Qualquer semelhança não é mera coincidência: eu me copio mesmo!
O assunto pode ser repetitivo, mas o tema pede... Esse é bem mais light..
 

Pão e Circo Tupiniquim

 

 

Segunda-feira, três de junho, seis horas da manhã: o Brasil acordado para prestigiar nossa querida Seleção Canarinho em seu primeiro jogo da Copa 2002. A esperança brasileira agora, não é mais a solução para o desemprego, a miséria, a fome ou qualquer outro problema dessa sorte, e sim, o tão almejado pentacampeonato. Os novos heróis atendem pelo mesmo nome: “Rrrrrronaldinho! O Fenômeno!”, segundo nosso bom e velho Galvão.

 

Toda essa festa me faz voltar ao Pão e Circo de Roma: empanturravam o pessoal de comida, mostravam uns leõezinhos comendo uns escravinhos e pronto! Ninguém lembrava que o Império estava prestes a desabar! Aqui substitui-se o pão pela cerveja, o circo pelo futebol e tudo vira festa! A alienação aos acontecimentos externos é a mesma. Para que se preocupar em tentar descobrir como resolver seus problemas e pagar suas contas, se é muito mais fácil ganhar o dia com uma vitória brasileira, reacendendo o verdadeiro espírito futebolístico dos corações verde-amarelos, principalmente depois do fiasco da Copa de 1998 e dos vexames que o Brasil vinha protagonizando ultimamente?

 

No entanto, mesmo sabendo de tudo isso, é impossível  não torcer, vibrar, chorar pelo nosso Brasil. Afinal, somos o país do futebol e não importa o que estejamos enfrentando socialmente, nunca deixaremos nenhum francesinho metido à besta dizer que o nosso futebol é decadente. Provamos que continuamos sendo os melhores do mundo e, no momento, isso já é o bastante.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

25/06/2002



Escrito por Alana às 13h53
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Quase um mês depois... Esse aqui foi para um trabalho de faculdade, altamente acadêmico...

Persuasão é comunicação

 

 

Entende-se por persuasão, o ato de usar-se de métodos atraentes, que chamem atenção, para convencer alguém a adquirir ou acreditar em algo. A persuasão é muito utilizada na publicidade, propaganda e veículos de comunicação em geral.

 

Todavia, a persuasão mostra-se muito dualista. Por um lado, apresenta características que a vinculam à mentira, às piores maneiras de conquistar a confiança de alguém, e por outro, essa técnica torna-se bastante necessária no meio comunicacional, principalmente o publicitário, e sem precisar realizar o papel de grande vilã, mas apenas como auxílio para a função principal da publicidade: vender.

 

Mas, afinal, o que é persuadir? É mentir, enganar? Não necessariamente, uma vez que há vários graus de persuasão: desde um uso leve, inconsciente às vezes, até os extremos, onde ocorre a perda total dos valores éticos e morais. Esse último caso é muito utilizado pelos “marqueteiros”, famosos por fazerem qualquer coisa para alcançarem seus objetivos.

 

Entretanto, existe informação sem persuasão? Provavelmente não, já que quem informa acaba, por mais sutilmente que o faça, defendendo seu ponto de vista, mesmo tentando manter total imparcialidade, salvo quando não há conhecimento sobre o assunto focado, ou que o mesmo não seja suficientemente interessante.

 

Contudo, a persuasão não deve ser vista como sinônimo único de coerção ou mentira, cabe a essa técnica também, o dever de informar corretamente tópicos importantes, como campanhas institucionais, por exemplo, onde o uso de métodos da retórica e persuasão visa convencer o receptor acerca da relevância de determinado tema. Enfim, se utilizada corretamente, a persuasão torna-se, não apenas positiva, mas necessária.

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                                             04/10/2004



Escrito por Alana às 08h16
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Esse aí é uma crise de consciência (não minha, claro!)...Sabe aquela história de anjinho e diabinho? É isso aí...

Uma notinha sobre esse texto: ele foi gerado a partir de uma conversa que tive com um amigo (filósofo de tudo) sobre como as pessoas, principalmente essa nova geração, estão desencanando do mundo e da vida, as coisas acontecendo e ninguém nem aí... É importante lembrar que, como na maioria dos textos que escrevi, eu mantenho uma postura imparcial, ou seja, as coisas que escrevo não são, necessariamente, a minha opinião ou sentimento, já que eu sou (auto-título) uma escritora de observação, eu escrevo o que vejo, o que ouço, eu analiso as situações... Esse texto é um bom exemplo disso.  
 

 

Tanto faz

 

 

Tanto faz... O que tanto faz?

A vida, sei lá, tudo... tanto faz...

Se for ou se não for, tanto faz...

Mas, porque tanto faz? E a vivência das situações? E a intensidade das coisas?

 

A maior das alegrias é incomparável à dor de uma tristeza. Prefiro abrir mão das coisas boas a ter que sofrer coisas ruins. Prefiro caminhar inerte, frio, sólido como um cubo de gelo, a me abrir para experiências novas e marcantes, que possam deixar traumas que nunca irei me livrar, então, tanto faz...

 

Mas isso é desistir, esquecer que tanto a própria vida, quanto a dos outros tem algum valor, jogando-a pela janela, magoar aqueles que não acham que tanto faz, destruir, tão prematuramente, a esperança de que as coisas são sempre mutáveis e podem melhorar, permitir que o mal prevaleça sobre o bem. Isso não é indiferença, é medo de lutar, de viver. Não é apenas um tanto faz, é covardia. Tornando, cada vez mais, a luz em breu, e, vivendo nessa sombra, sem vida, vulnerável dentro da sua própria invulnerabilidade montada, como uma tartaruga dentro de um casco prestes a ser quebrado. Isso não é o modo mais fácil de se viver e sim, o mais difícil de morrer...

 

Que seja, afinal, tanto faz...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

24/10/2004



Escrito por Alana às 15h07
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Muita gente se identificou com esse aí... Esculhambação geral...

Soninho no busão

 

Para aqueles trabalhadores sofredores como eu, que enfrentam, diariamente, o trânsito caótico de São Paulo e não dispõem de recursos financeiros para ter seu veículo próprio: existe coisa melhor do que tirar uma pestaninha no ônibus, durante o longo itinerário que temos pela frente?

 

Quem vive a situação sabe do que eu estou falando. Já subo no ônibus na esperança de que aquele “lugarzinho especial” esteja vago. Se estiver, ótimo! Já começo bem o dia! Aí rezo para que não tenha nenhum "sebinho" grudado na janela, herança de algum dorminhoco anterior. Então, passada a primeira etapa, encosto confortavelmente na janela, abraço minha bolsa e, literalmente, apago, esperando não perder o ponto outra vez.

 

Aposto um dedo que milhares de pessoas fazem isso. Na verdade, só aposto meu dedo por conhecimento de causa, já que, vez ou outra, quando todas as janelas estão ocupadas ou até todos os bancos, sigo minha viagem acordada, e não posso deixar de notar que, geralmente, cerca de 80% da população do ônibus está capotada (os 20% restantes não dormem porque, provavelmente, estão em pé). E, nossa, isso se torna um passatempo e tanto na uma hora e trá-lá-lá que eu passo lá dentro.

 

Observo, então, os vários tipos, facilmente identificáveis: os pescadores, a lei da gravidade exerce tão fortemente sobre suas cabeças que acaba por acordá-los volta e meia; os espaçosos, aquele que, se você deixar, deita no seu colo; os desencanados, dormem, roncam e até babam, como se estivessem em suas caminhas; os espasmódicos, de repente, o cara do seu lado dá uns trancos e por aí vai... Fico imaginando se me encaixo em alguma dessas classificações, mas pensando bem, é melhor nem saber.

 

Mas, enfim, a verdade é que passamos a maior parte do dia na correria, então, a melhor coisa que podemos fazer é tentar aproveitar esses momentos para viver, seja no trabalho, no trânsito, na escola, seja dormindo, falando ou só observando.

 

 

 

 

 

01/11/2004



Escrito por Alana às 14h21
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Essa aqui foi na época da escola, estávamos discutindo sobre Macunaíma e outros heróis e surgiu o questionamento do que seria um herói e qual era seu verdadeiro valor, bom, aí deu nisso...

Orgulhinho da mamãe!

 

Estava aqui pensando com os meus botões: que pátria é essa que considera o seu grande herói um mocinho de cabelo esquisito só porque foi um dos responsáveis pela conquista do pentacampeonato no futebol mundial? Tudo bem, ótimo, superlegal ser o melhor futebol do mundo, mas que valores são esses de um país que enfatiza tanto coisas que deveriam estar em segundo plano, levando em conta os sérios problemas sociais que o Brasil enfrenta?

 

Onde estão os nossos verdadeiros heróis? Aqueles que realmente fazem alguma coisa por nós? Sei lá, eles não costumam ser bonitinhos, carismáticos, nem fazem comercial de iogurte. Então, para que aparecer se nada disso é interessante para a mídia mostrar? É mais fácil pegar um famosinho e botar o cujo como ídolo nacional, novo sex-symbol.

 

Então, vamos continuar comprando o CD do Bam Bam para os nossos filhos (com um pouco de sorte, mês que vem eles já esqueceram da existência do CD e de seu criador), ou a nova chuteira do Ronaldinho (você já viu como ela está leve? Tecnologia de ponta!), e entupi-los de Danette do Gustavo Borges (quem sabe seu pimpolho não fica cantando aquela musiquinha para você?). Batata! É, sem dúvida, muito importante um grandão de sunguinha cantar um nana-nenê ou um cabeludo tirar celulares do além ou fazer batuque com o cartão de crédito.

 

Eu não estou depreciando o esporte, muito pelo contrário, é incontestavelmente imprescindível o desenvolvimento deste para o país. Só acredito que essas personalidades estão a anos-luz de serem heróis de verdade. Heróis são aqueles que se empenham em promover mudanças importantes: médicos da saúde pública, policiais (aqueles que, de fato, são íntegros e escrupulosos), bombeiros, líderes de ONG’s, pessoas que cultivam campanhas importantes e até aquele hominho da esquina que consertou o seu chuveiro quando queimou o resistor.

 

Não quero ser estraga-prazeres, mas as coisas não são, sempre, como elas parecem ser, e, na maioria das vezes, nem como gostaríamos que elas fossem. É legal gostar do Ronaldinho, mas é uma ilusão taxá-lo de herói. Ele está lá, ganhando seus milhões, e sim, ajuda instituições de caridade etc e tal, mas seu ato dito “heróico” não é esse, é o futebol, e futebol não é exatamente o maior problema do Brasil. Não podemos perder o foco do que é realmente importante. Não basta ser bonitinho, tem que ser herói. E de verdade.

 

 

19/09/2002



Escrito por Alana às 10h23
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Tinha que misturar Carnaval e 450 anos de SP. Dei um embromation, mas, no final, gostei do resultado...

Pão e Circo Paulista 

 

São Paulo, cidade cinza, suja, concreta e fria, onde todo mundo trabalha e ninguém se diverte. Paulistano, criatura mal-humorada, grosseira, indiferente e estressada, cuja maior diversão é o happy-hour com aquele pessoalzinho esquisito do escritório.

 

É, essa é a imagem que cidade e cidadão carregam há muito tempo, principalmente na opinião dos nossos queridos vizinhos cariocas, até então, pioneiros no quesito festa. Eis que surge o Carnaval em São Paulo, tímido, meio sem-graça, meio fundo de quintal, mas com muita determinação e boa vontade.

 

No entanto, a verdade é que em uma cidade onde a qualidade de vida vai de mal a pior, que existe tanta violência, miséria, e outros problemas sociais que abrangem, não só São Paulo, mas o país inteiro, somados a um governo decadente, o Carnaval é uma válvula de escape, uma alienação às dificuldades externas. Fechamos os olhos um pouco e nossas preocupações diárias ficam em segundo plano, dando lugar a um, digamos, comportamento, que surge somente nessa época do ano. Mas tem que haver essa pausa, se não ninguém consegue viver. É algo como o Pão e Circo romano, enchiam o povo de comida e bebida, divertiam todo mundo e ninguém lembrava que o Império estava à beira de uma queda.

 

Contudo, o Carnaval é a maior festa brasileira, e, aos poucos estamos chegando lá. Mostramos que, apesar de tanto trabalho, tomamos fôlego e nos divertimos, muito, porque não há noite como a nossa. Mostramos que a paulistana também é bonita, também é gostosa e sabe sambar. E que a cidade pode ser concreta mas não é fria porque é brasileira, calorosa por natureza. E, nesses 450 anos, com a força das nossas escolas de samba, cada vez melhores, a comemoração é ainda maior, porque São Paulo pode ser a terra da garoa, mas não há garoa que pare a festa na Avenida.

 

 

 

   08/03/2004

 



Escrito por Alana às 09h22
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Esse tem cara de artigo...

Escrever é ler

 

 

O que faz de alguém um bom escritor? Quais as principais ferramentas para se escrever bem?

Tem quem diga que é tudo uma questão de talento, um dom, mas mesmo que nasçamos com, digamos, uma predisposição natural à determinada finalidade, no caso escrever, não há nada como a prática. É como, por exemplo, um esporte ou instrumento musical, ainda que exista uma aptidão espontânea, uma habilidade clara, sem exercício não há desenvolvimento, e sem desenvolvimento, mesmo que você tenha certeza que veio ao mundo para isso, não vai dar certo, ninguém é bom em alguma coisa sem praticar, treinar.

 

Como se pratica o exercício de escrever? Quais são as ferramentas necessárias para desenvolver uma boa redação? Bom, a verdade é que para escrever bem, é necessário ler bem. Sendo o “escrever bem” em qualidade e o “ler bem” em quantidade, já que os livros, revistas e afins apresentam um mundo riquíssimo e que, até dentro da maior ignorância, são informações que sempre tem algo a adicionar ao nosso repertório de idéias.

 

A leitura é, relativamente, um hábito de poucos, principalmente entre os mais jovens, o que é um desperdício, uma vez que nessa idade existe uma disposição muito maior e as idéias vêm com muito mais freqüência. Mas, também, é um hábito cultivável, como qualquer outro e, de repente, você pode descobrir que tem um “dom” e criar gosto pela coisa.

 

Grande parte desse desenvolvimento vêm da leitura. Livros oferecem um universo que só eles podem, cada um, obviamente, com suas particularidades, revistas e jornais propiciam uma visão “panorâmica” acerca dos acontecimentos, ainda que filtrados de acordo com favoritismos, mas isso é discutível. Tecnicamente falando, as palavras são, por elas mesmas, muito significativas, definindo muitas vezes, a personalidade e o estilo de um escritor. Mas, como as palavras só podem ser encontradas onde elas são geradas, a máxima é: um bom escritor é um excelente leitor.

 

 

 

 

 

17/09/2004

 



Escrito por Alana às 09h50
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Este é mais velhinho, eu gosto bastante

 

ETERNOS INSATISFEITOS

 

 

Quem tá na escola quer sair

Quem já saiu quer voltar

Quem trabalha quer se demitir

Quem é demitido quer trabalhar

 

Quem tem cabelo liso quer enrolar

Quem tem cachos quer chapar

Quem é gorda quer emagrecer

Quem é magra quer engordar

 

Quem toma ônibus quer carro

Quem tem carro não agüenta mais dirigir

Quem é pobre quer ser rico

Quem é rico quer ser maaais rico

 

Quem tá no frio quer calor

Quem tá no calor quer frio

Quem tá na Itália quer sushi

Quem tá no Japão quer pizza

 

Quem tem o que quer

Quer o que não tem

Quem não tem o quer

Não quer o que tem

 

E, assim, seguimos pela vida

Eternamente insatisfeitos

Querendo o que não temos

Conseguindo o que não precisamos

Desprezando o que somos.

 

27/09/2004



Escrito por Alana às 12h36
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Este é de hoje mesmo

Metrooquê?

 

Porque quando você acha que não tem mais o que inventarem, surgem com essa...

 

Heteros machões e homos afeminados, vocês estão totalmente “out”. A novidade do momento para os homens antenados é um fenômeno chamado metrossexualismo.

Eu interpretaria essa nova moda como uma vaidade masculina exagerada, mas como tenho certeza que muita gente não vai concordar comigo (bom, concordar não é bem a palavra), prefiro ser mais democrática e dizer que o metrossexual é um cara moderno, que está por dentro das novidades de beleza e moda, se cuida, é sensível e entende a mulher. Estranho? Talvez, mas são essas as características que definem este homem do futuro.

 

Barbie do futebol

 

Atualmente, o ícone absoluto dessa nova era do universo homem é o jogador de futebol do Real Madrid, David Beckham. O bonitão-astro-estrela-estátua-de-natal que curte bater uma bola de vez em quando, e que faz isso muito melhor do que posar de garoto-propaganda, leva a fama de ser mais vaidoso que sua mulher, Victoria Adams, ex- Spice Girls e eterna Posh Spice.

Beckham faz as unhas, penteados, mechas, usa brincos e, de uns tempos para cá, vem arriscando umas pinceladas de rímel.

 

Metro, homo, hetero

 

Mas como não estou aqui para discutir a vida alheia, voltemos ao assunto: o fato é que essa história de metrossexual causa uma certa polêmica, muita gente vê o metrossexualismo como sinônimo direto de homossexualismo e isso não é verdade. Acredito que muitos gays são metrossexuais, mas isso não significa que todos os metrossexuais sejam gays. Deu para entender? Bom, é por aí...

A verdade é que tudo que é demais é ruim. Não tem problema o cara se cuidar, chorar de vez em quando e coisa e tal, mas existe um lado troglodita essencial no homem e que toda mulher adora e mais: qual mulher ia querer dividir chapinha, secador e cia com seu amado?

 

 

11/05/2005



Escrito por Alana às 14h02
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Como tudo começou...

Primeiro dia de blog!

Nunca fui muito fã destes diários via web, mas, para quem não entende (quase) nada de sites e afins como eu, percebi que é uma maneira fácil de publicar meus textos.

Vou colocar aqui alguns que escrevi, desde os mais jurássicos até os mais atuais.

Fiquem à vontade!

 



Escrito por Alana às 09h59
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